Será que a fé pode ser mesmo utilizada como instrumento de cura? Esta pergunta atravessa séculos em busca de confirmação. Entretanto, parece que ciência e espiritualidade estão entrando em um consenso, unindo conceitos em prol da saúde.
Hoje, médicos apoiados em pesquisas que vêm sendo feitas em vários hospitais do mundo estão descobrindo que a fé tem o poder da cura, ou pelo menos ajuda muito nos tratamentos médicos. Estamos certos de que uma olhadela nessa matéria ajudará muita gente que ainda vê a oração como simples ato místico, sem fundamento científico.
Uma série de estudos recentes vem corroendo entre igrejas e laboratórios. Essas pesquisas demonstraram, por exemplo, que aqueles que freqüentam serviços religiosos mais de uma vez por semana vivem, em média, sete anos mais do que os que não o fazem.
Um estudo realizado em 1998, pelos médicos Harold Koenig e David Larson, do Centro Médico da Duke University, mostra que as pessoas que freqüentam igrejas todas as semanas tinham menor probabilidade de serem internadas e, se fossem, não passavam tanto tempo no hospital, em relação aquelas que iam à igreja com menos freqüência.
A medicina tradicional talvez esteja abraçando a espiritualidade porque pode se beneficiar da crença. “Estamos em uma época crítica”, afirma a doutora Christina Puchalaki, professora-assistente de medicina da Universidade George Washington. “Os médicos têm por dever colocar o bem do paciente acima do seu. É uma vocação muito espiritual. Mas, com a transformação da medicina em negócio, corremos o risco de perder o sentido de propósito e significado”, concluiu.
Médicos e pacientes, porém, continuam a expressar o desejo de manter a fé. Em 1996, a Associação de Faculdades Médicas Americanas começou a entrevistar advogados de pacientes, médicos, executivos de companhias de seguro, estudantes de medicina e membros da comunidade para o seu relatório sobre objetivos das escolas médicas.
Como temas significativos, surgiram questões culturais, espirituais e relacionadas ao fim da vida. As faculdades americanas estão respondendo à demanda: em 1992, apenas umas poucas incluíam a espiritualidade em suas disciplinas: hoje, cerca de 50 das 125 escolas médicas dos Estados Unidos têm disciplinas dedicadas ao assunto.
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas saber a opinião da população, que se divide sobre a questão. “A fé é importante para a pessoa se curar, mas também acredito que seja fundamental procurar um médico, pois um pode complementar o outro, pois usar um remédio sem acreditar que ele vai curar, também não funciona”. Defende a dona de casa Dina dos Santos de Mattos.
Já o motorista Hudson Araujo Pereira não acredita na forçada fé. “Não acredito e jamais deixaria de tomar um remédio ou de procurar um médico, pois acho que só um profissional como o médico pode diagnosticar e trazer solução para cura de doenças”.