A Fundação Educacional de Ituverava se consolida como um grande pólo educacional, oferecendo ensino de qualidade e serviços à população. O exemplo é o Hospital-Escola Veterinário, mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), que oferece atendimento de qualidade para animais de pequeno, médio e grande porte.
Segundo a coordenadora do curso Elzylene Lega, o número de atendimentos do Hospital-Escola tem aumentado consideravelmente, fazendo atendimento clínico e cirúrgico às espécies eqüina, canina, felina, bovina, suína, ovina, caprina e animais silvestres.
“As afecções mais freqüentes são distúrbios gastroentéricos, cardiorrespiratórios, neuromusculares, gênito-urinários, entre outros. Entretanto, não há como precisar quais são as de mais incidência, pois depende de cada caso”, explicou a coordenadora do curso.
Especialidades
Elzylene ressalta que, assim como a Medicina, a Veterinária também tem muitas especialidades, nas áreas dermatológicas, ortopédicas, oftálmicos, reprodutivos, obstétricos, gastroentéricos, ultrassonográficos, radiográficos, oncológicos, odontológicos, urológicos, pneumológicos, cardiovasculares e neurológicos.
“Não se pode esquecer também da saúde bucal do animal, que é de fundamental importância para o bom funcionamento do aparelho digestivo. Assim, para pequenos animais, recomenda-se fazer escovação com escova e pasta de dentes específicas para cães e gatos, as quais são facilmente encontradas em todos os pet shops, além da utilização de antissépticos bucais”, complementou a veterinária.
Segundo ela, a saliva dos animais domésticos contém uma quantidade maior de bactericida quando comparado a dos seres humanos. Por isso, os intervalos entre as escovações podem ser maiores. Além disso, de acordo com Elzylene, oferecer alimento sólido como rações podem ajudar na limpeza dos dentes, devido ao atrito que promovem durante a mastigação.
“Em eqüinos, muitas vezes, faz-se necessário grosar os dentes para manter uma boa oclusão o que minimiza riscos de afecções digestivas e aerofagia que é a ingestão de ar, que pode causar gastrite. Nos animais em que há formação de placa bacteriana ou cálculo dentário deve-se fazer a limpeza cirúrgica, que necessita de anestesia para que seja realizada de maneira satisfatória, evitando-se assim a doença periodontal”, acrescentou.
Problemas neurológicos podem ter diferentes causas
O sistema nervoso é o responsável pelos movimentos, sensibilidade e permite a interação do animal com o meio em que vive. Portanto, alterações podem causar dificuldade ou perda de movimentos (paralisias ou fraqueza muscular), diminuição ou perda da sensibilidade a estímulos externos (dor, visão, olfato, audição etc.), ou ainda levar a alterações de comportamento como delírios, alucinações, demência entre outros sinais.
“Vários problemas neurológicos podem acometer cães e gatos, sendo que muitos podem ser de cunho infeccioso, traumático ou compressivo, e para cada um deles um tratamento específico deve ser instituído. Desta forma, um bom exame clínico é necessário para o diagnóstico, associado a exames complementares, tais como hematológicos, bioquímicos, sorológicos, radiográficos e tumográficos”, enfatizou Elzylene.
A coordenadora do curso de Veterinária da Fafram ressalta ainda que algumas destas doenças são infecciosas. “É o caso da cinomose, por exemplo. Entretanto, doenças como esta podem ser prevenidas com esquemas de vacinação orientados por veterinário, realizados a partir dos 45 dias de vida, com reforço anual”, concluiu.
Problemas dermatológicos podem ter origem bacteriana
Os problemas dermatológicos em animais podem ser de origem bacteriana, fúngica, parasitária, alérgica, auto-imune ou endócrina. Segundo ela, nestes casos, deve-se obter histórico do animal e realizar exame físico detalhado para fazer o diagnóstico e tratá-lo.
"Os animais geralmente manifestam a alopecia (falhas na pelagem) e descamação, que pode estar ou não associada a prurido. Para auxiliar, podem ser realizados exames como biópsia e exames hematológicos, visto que podem ser necessários tratamentos sistêmicos e tópicos”, completou Elzylene.
A coordenadora finaliza enfatizando cuidados de higiene. “Deve-se lembrar que a higiene com a pelagem, deve ser feita através de banhos com xampus adequados, escovação e produtos para controlar a presença de ectoparasitas (pulgas, carrapatos e piolhos). Isso minimiza a manifestação destas afecções”, concluiu.
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Especialidades e área de atuação
- Acupuntura Veterinária
- Anestesiologia Veterinária
- Bem-Estar e Comportamento Animal
- Clínica e Técnica Cirúrgica
- Clínica Médica de Grandes Animais - Ruminantes, Eqüídeos e Suínos
- Clínica Médica de Pequenos Animais - Cardiologia, Dermatologia, Odontologia, Oftalmologia, Ortopedia e Traumatologia
- Ecologia e Gestão Ambiental
- Farmacologia e Terapêutica Veterinária
- Fisiologia e Endocrinologia Veterinária
- Hematologia Veterinária
- Homeopatia Veterinária
- Inspeção Higiênica, Sanitária e Tecnológica de Produtos de Origem Animal – Carnes e Derivados, Leite e Derivados, Pescado e Derivados, Ovos e Derivados, Mel e Derivados, Controle físico-químico e Microbiológico de Produtos de Origem Animal
- Medicina e Produção de Animais Aquáticos
- Medicina e Produção de Animais de Laboratórios
- Medicina e Produção de Animais Silvestres
- Medicina Veterinária Intensiva
- Medicina Veterinária Legal
- Medicina Veterinária Preventiva - Saúde Pública, Epidemiologia, Zoonoses e Planejamento em Saúde Animal, Doenças Infecciosas e Parasitárias, Vigilância Sanitária
- Microbiologia Veterinária - Virologia, Bacteriologia e Micoologia
- Morfologia Veterinária - Anatomia, Histologia, Citologia e Embriologia
- Odontologia Veterinária
- Oncologia Veterinária
- Parasitologia Veterinária
- Patologia Clínica Veterinária
- Patologia Veterinária - Anatomia
Patológica, Histopatologia e Ornitopatologia
- Radiologia e Diagnóstico por Imagem Veterinária
- Ultra-sonografia, Ressonância Magnética, Tomografia e Videolaparoscopia
- Reprodução Animal (também chamada de Teriogenologia) – Andrologia, Tecnologia do Sêmen e Inseminação Artificial, Ginecologia e Obstetrícia Veterinária, Produção “in vitro” de Embriões, Transferência de Embriões, Clonagem Animal, Transgênese Animal, Fisiologia e Manejo Reprodutivo
- Toxicologia Veterinária
A história da Medicina Veterinária no Brasil
Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, a cultura científica literária brasileira recebeu novo alento, pois até então não havia bibliotecas, imprensa e ensino superior no Brasil Colônia. São fundadas, inicialmente, as Faculdades de Medicina (1815), Direito (1827) e a de Engenharia Politécnica (1874). Quanto ao ensino das Ciências Agrárias, seu interesse só foi despertado quando o Imperador D. Pedro II, ao viajar para França, em 1875, visitou a Escola Veterinária de Alfort, impressionou-se com uma Conferência ministrada pelo Veterinário e Fisiologista Collin. Ao regressar ao Brasil, tentou propiciar condições para a criação de entidade semelhante no País.
Entretanto, somente no início deste século, já sob regime republicano, autoridades brasileiras decretaram a criação das duas primeiras instituições de ensino de Veterinária no Brasil, a Escola de Veterinária do Exército, pelo Dec. nº 2.232, de 06 de janeiro de 1910 (aberta em 17/07/1914), e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, através do Dec. nº 8.919 de 20/10/1910 (aberta em 04/07/1913), ambas na cidade do Rio de Janeiro.
Em 1911, em Olinda, Pernambuco, a Congregação Beneditina Brasileira do Mosteiro de São Bento, através do Abade D. Pedro Roeser, sugere a criação de uma instituição destinada ao ensino das ciências agrárias, ou seja, Agronomia e Veterinária. As escolas teriam como padrão de ensino as clássicas escolas agrícolas da Alemanha, as "Landwirschaf Hochschule".
No dia 1º de julho de 1914, eram inaugurados os curso de Agronomia e Veterinária nesta instituição. Todavia, por ocasião da realização da terceira sessão da Congregação, em 15/12/1913, ou seja antes da abertura oficial do curso de Medicina Veterinária, um Farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia solicitava matrícula no curso de Veterinária, na condição de "portador de outro diploma do curso superior".
A Congregação, acatando a solicitação do postulante, além de aceitar dispensa das matérias já cursadas indica um professor particular, para lhe transmitir os conhecimentos necessários para a obtenção do diploma antes dos (quatro) anos regimentares. Assim, no dia 13/11/1915, durante a 24ª sessão da Congregação, recebia o grau de Médico Veterinário o senhor Dionysio Meilli, primeiro Médico Veterinário formado e diplomado no Brasil.
Desde o início de suas atividades até o ano de 1925, foram diplomados 24 Veterinários. Em 29 de janeiro, após 13 anos de funcionamento, a Escola foi fechada por ordem do Abade D. Pedro Roeser.
A primeira mulher diplomada em Medicina Veterinária no Brasil foi a Dra. Nair Eugênia Lobo, na turma de 1929 pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária, hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
No Brasil, os primeiros trabalhos científicos abrangendo a patologia comparada (animal e humana) foram realizados pelo Capitão-Médico João Moniz Barreto de Aragão (fundador da Escola de Veterinária do Exército), em 1917, no Rio de Janeiro, e cognominado Patrono da Veterinária Militar Brasileira, cuja comemoração se dá no dia 17 de junho, data oficial de inauguração da Escola de Veterinária do Exército (17/06/1914).
Modernidade
Recentemente a aplicação da medicina veterinária tem se expandido por causa da disponibilidade de técnicas avançadas de diagnóstico e de terapia para a maioria das espécies animais, bem como pelos avanços científicos em outras áreas, como a genética, a biotecnologia, a fisiologia, que proporcionam melhoramentos nos sistemas de produção animal.
Em 1946, a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhecendo a necessidade de se conciliar, definitivamente, os inseparáveis preceitos da saúde humana com a saúde dos animais, recomendou que se criasse a uma seção de saúde veterinária, que foi estabelecida no ano de 1949; assim define a OMS, em 1951, a Saúde Pública Veterinária:
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a Saúde Pública Veterinária compreende todos os esforços da comunidade que influenciam e são influenciados pela arte e ciência médico-veterinária, aplicados à prevenção da doença, proteção da vida e promoção do bem-estar e eficiência do ser humano. Em 1955, foram estabelecidas as seguintes atividades para esta área: o controle e erradicação de zoonoses; a higiene dos alimentos; os trabalhos de laboratório; os trabalhos em biologia e as atividades experimentais.