Novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) (Foto: Valter Campanato/ABr )O novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), divulgou nota nesta terça-feira (23) em que diz que não fará “mudanças bruscas” e que não vai aceitar “ingerências políticas” em sua gestão. Lima afirma que assume no “momento mais delicado” da história política do DF.
O deputado assumiu o governo local automaticamente após a renúncia do vice-governador Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM) na tarde desta terça. Nesta quarta (24), o Diário da Câmara traz publicada a renúncia de Paulo Octávio e o empossamento de Lima no cargo de govenador interino.
Lima diz que quer ser um “instrumento para uma transição democrática entre um governo eleito e outro governo eleito”, em uma referência à possível intervenção pedida pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel. Lima afirma que não será “empecilho à volta da normalidade”.
No lugar de Lima, que ocupava a presidência da Câmara Legislativa, assume interinamente o deputado Cabo Patrício (PT), que já esteve no cargo durante as licenças de Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM), que ficou conhecido como “deputado da meia” após ser flagrado escondendo nas roupas dinheiro do suposto esquema de propina no governo local, que ficou conhecido como mensalão do DEM de Brasília.
Aliado de primeira hora de Arruda, Wilson Lima já foi vendedor de picolés, frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus. Também foi sócio de uma rede de supermercados. Está no terceiro mandato.
Sua chegada ao cargo se dá após a sucessão de escândalos de corrupção no governo do Distrito Federal. O caso veio à tona no dia 27 de novembro quando a Polícia Federal deflagrou a operação Caixa de Pandora, que investigava um suposto esquema de distribuição de propina.
O caso foi denunciado por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governador José Roberto Arruda, que foi afastado e preso por determinação do Superio Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito que tramita no STJ envolve o governador do DF, Paulo Octávio, deputados distritais, empresários e membros do governo.
Nesta terça, Arruda disse que não pensa em renunciar ao cargo. O aviso foi feito por intermédio do secretário de Transportes do Distrito Federal, Alberto Fraga, que visitou o governador afastado nesta tarde, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. “Em nenhum momento se falou em renunciar. Ele disse que está preparado para ir até o fim", disse.
Veja a nota de Wilson Lima
"Assumo interinamente o governo do Distrito Federal no momento mais delicado de nossa ainda curta história política. Não escolhi estar nessa posição, não a almejei, mas não posso fugir à responsabilidade e ao dever de assumi-la.
A missão que o destino colocou em minhas mãos deve ser enfrentada com serenidade, humildade, e muita reflexão. Há um sentimento de desilusão na população. Há quem defenda como solução a ruptura política e a intervenção federal.
Isso equivale a cassar a soberania do povo brasiliense, soberania conquistada no bojo da redemocratização de nosso país.
Sei do peso da responsabilidade quem me é transferida neste momento. O compromisso que posso assumir, ao aceitar tão árdua missão, é com normalidade democrática. De não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas para o povo desta cidade.
Quero ser apenas e tão somente o instrumento para uma transição democrática entre um governo eleito e outro governo eleito.
Não serei empecilho à volta da normalidade. Não criarei um único obstáculo para a condução democrática de nossa cidade. Não farei mudanças bruscas, e não aceitarei nenhuma ingerência política.
Há quem defenda como solução a ruptura política e a intervenção federal. Isso equivale a cassar a soberania do povo brasiliense, soberania conquistada no bojo da redemocratização de nosso país
E, Deus me permita, jamais darei um motivo sequer para aumentar a desconfiança que setores da sociedade nutrem não só em relação aos políticos quanto à política de modo geral.
O momento agora, para mim, é de reconhecimento e reflexão, antes de assumir de fato e de direito as responsabilidades de governar Brasília.
A todos aqueles que como eu amam Brasília, afirmo que farei o que estiver ao alcance de minhas forças para, seja qual for o período em que o Governo do Distrito Federal estiver sob meu comando, honrar cada minuto de minha passagem por este posto.
Que Deus ilumine a todos.
Deputado Wilson Lima"