A secretária Ariane Fernanda Silva foi contratada no ano passado após um período de estágio: esforçoA crise econômica que afetou negativamente o mercado de trabalho no ano passado repercutiu sobre o nível de empregabilidade de homens e mulheres. Em 2009, o sexo feminino conquistou mais postos de trabalho com carteira assinada do que o masculino na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Elas preencheram 58,6% do saldo de vagas no ano, que correspondeu a 10.470 do total de 17.880 empregos formais. O maior índice foi registrado em Americana, cuja proporção foi de 90,1%.
Campinas teve um índice acima da média da RMC, com 76% do estoque de oportunidades geradas no ano ocupadas por trabalhadoras. As empresas da cidade abriram 5.268 novas vagas, sendo que para 4.053 foram contratadas mulheres e em apenas 1.215 os admitidos foram homens.
O cenário do ano da crise financeira mundial privilegiou a contratação do sexo feminino, porque o setor que mais empregou foi o de serviços, cujo perfil demanda em maior número por mão de obra feminina. Em compensação, a indústria de transformação que admite mais homens cortou trabalhadores.
Os dados e as análises sobre o comportamento do mercado de trabalho no ano passado foram apresentados, ontem, pelo Observatório do Trabalho de Campinas, ligado à Secretaria Municipal de Trabalho e Renda.
O estudo detalhou que em 20 anos (entre 1988 e 2008) a participação do sexo feminino no mercado de trabalho da região passou de 30% (134.341 trabalhadoras com emprego formal) para 40,2% (328.837 postos) — variação de dez pontos percentuais.
Segundo o relatório, nos últimos dez anos a taxa de crescimento anual de mulheres empregadas superou a dos homens durante nove deles. Apenas em 2003 essa relação foi inversa.
O estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou também que 71,4% dos empregados na indústria de transformação da região, em 2008, conforme dados do Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), eram homens. A técnica responsável pelo projeto, Adriana Jungbluth, afirmou que o dado explica, em parte, o incremento da mão de obra feminina no mercado local.
A especialista do Dieese destacou que, em contraponto aos números da indústria de transformação, o setor de serviços, que mais gerou postos de trabalho na região no ano passado com 9.045 vagas, é dominado por mulheres. Elas representaram 63,3% da força de trabalho do segmento em 2009. “O fluxo de geração de postos de trabalho e corte de mão de obra explica o avanço tão acentuado das mulheres no ano. Porém, há um outro lado que ainda precisa mudar, que é a remuneração. As trabalhadoras recebem um salário menor do que o dos homens” , afirmou.
No estudo, um dos comparativos que demonstrou essa relação foi o salário de admissão de diretores gerais. Os homens foram remunerados, em média, com R$ 20.231,00. As mulheres receberam R$ 2.516,00.