Em Ituverava provavelmente não há quem não tenha ouvido falar em “Mané Terranova”, o Manoel Pedro, principalmente se for pescador ou ligado à área, pois ele é a história viva de mais de 50 anos dedicada a esta atividade, por lazer ou profissionalmente.
E foi justamente por esta habilidade, pois conhece os rios da região como a “palma da mão”, que foi homenageado pelo 9º Grupamento de Corpo de Bombeiros, da cidade de Orlândia. Na última semana, ele recebeu o certificado de “Amigo do Bombeiro”, como pescador profissional, pelos trabalhos voluntários que presta ao corpo de bombeiros há mais de 4 décadas.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, “Manoel Terranova” falou sobre a homenagem. “Além de pescador profissional, sempre trabalhei como mecânico e maquinista, fazendo revisões e consertando motores para o Corpo de Bombeiros, pois sei da necessidade de se ter equipamentos de qualidade e em bom estado de conservação, motivo pelo qual fui homenageado, o que me emocionou muito”, afirma.
Com vasta experiência e habilidade de pescador, Manoel ajudou a localizar muitos corpos em rios e represas. “Sempre fui pescador, o que me fez conhecedor de muitos rios e, quando alguém morria afogado, pelas águas sabia exatamente para onde o corpo era levado”, conta. “Considero um trabalho importante, pois contribuí diretamente com a polícia e o Corpo de Bombeiros o, que é gratificante, pois admiro o trabalho deles”, afirma.
Pescador é preocupado com a preservação do meio ambiente
Aos 86 anos, “Mané Terranova”, que está em plena forma física e com muita lucidez, é profundo conhecedor de rios e matas, não só da região, mas de todo o Brasil, também se preocupa com a preservação do meio ambiente e com a pesca consciente. “Sempre contribui com a Polícia Ambiental, por considerar o trabalho desenvolvido por ela muito importante para a preservação da natureza”, afirma o pescador.
“Comecei a pescar em 1984, pois até então era caçador. No início da década de 80 surgiram leis proibindo caçar, então abandonei a atividade. Na época não aprovei a lei, mas hoje não só as aprovo como acredito que deveriam ser ainda mais severas, pois caça predatória é algo desumano”, afirma. “Sempre pesquei ao lado de grandes companheiros e homens de caráter como os amigos José Galizi, Miguel Liporaci Sobrinho, Antônio Socorro Galdiano (“Chico Tuna”), João Liporaci (“Cheirinho”) e Felipe Liporaci Neto (“Titióla”)”, disse.
“Hoje pesco em rios distantes de Ituverava, como, o São Francisco, Cabaçal, Paracajú e Paranazão, pois infelizmente o número de peixes e a diversidade diminuíram de forma significativa na região, devido a pesca criminosa de inescrupulosos”, afirma. “São pessoas sem responsabilidade e que não respeitam às leis, o que prejudica o equilíbrio entre as espécies de peixes, que estão se extinguindo cada vez mais”, observa.
Outra questão abordada por Manoel é a utilização de equipamentos indevidos. “Muitos pescadores usam redes e pegam muitos peixes pequenos, matando-os precocemente. Também sou contra o uso de arpões, pois proporcionam ao peixe uma morte muito violenta. Todo pescador deve ter consciência de seus atos para a continuidade das espécies”, completa.
O amigo de infância do pescador, Felipe Liporaci Neto (“Titióla”) falou sobre Manoel. “Conheço o “Mané Terranova” desde os meus 6 anos de idade, e sempre foi um homem de integridade e caráter.
Tendo a honestidade acima de qualquer coisa, além de ser muito trabalhador”, elogia.
Manoel Pedro “Mané Terranova” é viúvo de Odete dos Santos Pedro e tem os filhos Vera Lúcia Pedro, Carmen Lúcia Pedro, Helena Lúcia Pedro, Fernando César Pedro, Hamilton Carlos Pedro (in memoriam), Rosângela Pedro, Marlei Pedro, Luiz Eduardo Pedro e Manoel Pedro Júnior, 19 netos e 15 bisnetos.