ECONOMIA

Comprovantes de pagamento vão sofrer mudanças: informações desses bilhetes se apagam e, o consumidor fica com um papel em branco na mão
22/04/2010

PAPEL DE COMPROVANTES DE PAGAMENTO VAI MUDAR




Foi tanta reclamação e aborrecimento, que eles vão mudar. São os comprovantes de pagamento, aqueles pequenos, emitidos pelas máquinas no comércio e bancos. O problema é que, com o tempo, as informações desses bilhetes se apagam e, o consumidor fica com um papel em branco na mão.

Todos temos na carteira ou em casa este tipo de comprovante, que as maquininhas do comércio e bancos emitem, mas o papel reage à temperatura, fazendo com que os dados registrados desapareçam em pouco tempo. A corretora Carmen Aznar nem guarda mais os comprovantes de pagamentos. Um dia, quando precisou, apelou para o bom senso da vendedora: “A roupa que eu estou trocando tem igualzinha na prateleira. Eu falei para ela: cheira, vê que não foi usada. Fique tranqüila. Ela disse que ia trocar, porque lembrava de mim”.

Já a vendedora Natália Santos não teve a mesma sorte. Ela precisou do recibo para trocar uma calça com defeito, e o comprovante estava apagado. Ela não conseguiu convencer a loja: “Tive que ficar com o produto, ele não quis trocar”.

O papel utilizado para emitir recibos é frágil porque reage à temperatura, luz e umidade. No caso do comprovante de pagamento, por exemplo, que deve ser guardado por um tempo mínimo, isso pode se tornar uma dor de cabeça para o consumidor. A analista de sistemas Carolina Baumann segue todas as orientações para que o recibo não se apague: “Eu já tentei fazer de todos os jeitos que eles falam: não deixar no sol, e tal. Não adianta. Coloco dentro de um envelope e mesmo assim apaga”.

Quando foi verificar o quanto ela tinha gasto no mês: “Já aconteceu de apagar, eu não ter passado para minha planinha ainda e eu não conseguir lembrar o que tinha comprado”, conta a analista de sistemas Carolina Baumann.

Autenticidade
Para garantir autenticidade, o novo papel reage à luz ultravioleta. Foi desenvolvido a pedido do governo em parceria com a Associação de Automação Comercial e, a estimativa é que os dados fiquem impressos durante cinco anos. Mas por enquanto ele ainda não está aprovado para utilização. Só estará disponível em oito meses.

“É um avanço. É um anseio já não só do mercado, mas do próprio setor, que é garantir a integridade dos dados fiscais do papel”, aponta Valéria Dias Beu, da Associação Brasileira de Automação Comercial.

A regulamentação para que os fabricantes passem a produzir papel térmico com maior durabilidade já foi publicada no Diário Oficial da União. Mas, a fiscalização só deve começar em novembro. É que, segundo as indústrias, ainda há um estoque grande de papel térmico antigo.