Presidente Lula entre Dilma (direita) e a primeira-dama: nada de intervençãoApesar da insistência do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que o governo federal indique um interventor no Distrito Federal após os escândalos de corrupção que terminaram com a queda do ex-governador José Roberto Arruda, essa possibilidade pode estar com os dias contados.
Tudo graças à eleição indireta de Rogério Rosso, o peemedebista responsável por parte do acordo que garantiu a aliança entre o PMDB e o PT para as eleições no Distrito Federal este ano.
O R7 apurou que Rosso terá a missão de enterrar a tese de intervenção, seguindo recomendação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não quer intervir no DF porque teme que sua indicação agrave a crise local e mine as chances de o PT vencer as eleições, já que a imagem do interventor estaria imediatamente associada à de Lula.
O presidente evita falar em intervenção em público, mas a posição do governo federal foi claramente exposta na última semana pelo vice-presidente, José Alencar, para quem a medida seria uma “violência contra os poderes constituídos”:
- O ideal é que as coisas se normalizem. Estamos muito próximos das eleições. São em outubro. E a partir daí nós esperamos que as coisas mudem.
Se Rosso – que tem uma reunião marcada com Gurgel para tentar dissuadi-lo da intervenção – cumprir bem a missão, o PMDB ganhará o vice na chapa encabeçada pelo petista Agnelo Queiroz.
Com o PMDB na garupa, Agnelo terá o maior tempo de televisão no programa eleitoral gratuito e a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, ganhará um palanque forte no Distrito Federal.
A aliança entre as duas legendas já estava praticamente fechada antes mesmo da escolha de Agnelo como cabeça de chapa. O apoio a Rosso na eleição indireta para governador, no entanto, dividiu o PT local.
Enquanto a corrente minoritária da sigla encampou a tese vencedora da candidatura de Antônio Ibañez, a cúpula do partido já desejava apoiar Rosso. Os principais articuladores dessa aliança com o PMDB foi o presidente do PT no DF, Roberto Policarpo, e o deputado distrital Chico Vigilante, aliado de Rosso desde que o atual governador distrital comandava a Ceilândia do DF, entre 2004 e 2006.