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Caminhões estacionados em frente da unidade da Indústria de Alimentos Nilza, em Ribeirão; fábrica está parada desde o início do mês
19/05/2010

NILZA PARA E DIZ QUE VAI MUDAR RAMO DE ATIVIDADE


Indústria interrompeu as operações no início do mês e foi colocada à venda

Tradicional no segmento de leite no interior de São Paulo, a Indústria de Alimentos Nilza, que tem unidades em Ribeirão Preto e Itamonte (MG), vai tentar mudar de ramo de negócio e está à venda.

A informação é do diretor de marketing da empresa, José Maurício Furtado. Desde o início do mês, a empresa interrompeu operações e mantém 250 funcionários em casa, com pagamento de salários.

Também foi suspensa a compra de leite e até contratos, como o que mantinha com uma empresa de assessoria em comunicação, foram rompidos.

Segundo Furtado, não é possível divulgar o valor de venda da empresa porque, de acordo com ele, a negociação ainda é "muito incipiente". Ele não disse também para qual ramo de negócios a indústria seguirá, mas afirmou que não abandonará o setor alimentício.

A mudança, de acordo com o diretor, se deve a "preços impraticáveis" do leite, que no ano passado era comprado pela empresa a R$ 0,85 e vendido aos consumidores por R$ 1,98 -atualmente custa R$ 0,99 para revenda a R$ 1,58.

Para o presidente da Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite), Jorge Rubez, a situação da Nilza repete o que acontece sempre que uma empresa do segmento fica à venda. "Abre uma oportunidade de mercado. Resta saber quanto vão cobrar por ela e o quanto estão dispostos a pagar", afirmou Rubez.

A assessoria de imprensa da ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida) disse que a entidade não costuma se manifestar nesses casos. A principal fornecedora de leite da Nilza, a Minas Leite, de Minas Gerais, deixou de fazer negócios com a empresa há cerca de 30 dias.

"Eles não conseguiam mais cumprir nossas exigências", disse Manoelito Simões, superintendente da cooperativa.

Em 2009, a Nilza entrou em processo de recuperação judicial para renegociar R$ 340,8 milhões em dívidas.