BRASIL

O novo presidente da ECT, David José de Matos, durante entrevista na sede da empresa (Foto: Roosewelt Pinheiro/AB)
05/08/2010

CORREIOS ADIAM CONCURSO POR QUESTÃO DE SEGURANÇA, DIZ NOVO PRESIDENTE




O novo presidente dos Correios, David José de Matos, disse nesta quinta-feira (5) que o concurso para 6.565 vagas em todo o país que a empresa promoveria em 19 de setembro foi adiado. A provável data da prova será 21 de novembro. Matos afirmou que problemas de segurança e logística levaram ao adiamento.

“Conversei com o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, e fizemos uma análise sobre a questão da segurança. Afinal de contas, os jornais aqui estavam falando sobre o problema da quadrilha dos concursos. Vamos fazer um plano de segurança, não só para a hora da prova, mas para o transporte [das provas]. Vamos ter segurança para que seja um concurso exitoso”, disse Matos.

Matos explicou que, como as contratações só poderão ser feitas em 2011 por causa da eleição, é mais seguro “parar” e “ver os pontos onde pode dar problema”. Matos disse ainda que serão contratados 4 mil funcionários provisórios no final do ano. “Vamos ter mão de obra provisória para passar este fim de ano”, afirmou.

Ele afirmou que vai se reunir na próxima semana com a Cesgranrio [organizadora do concurso] para definir a nova data, possivelmente 21 de novembro. "Não vai trazer prejuízos. É mais seguro, e os candidatos vão ter mais tempo para estudar", afirmou.

O concurso teve o edital publicado em dezembro de 2009 e recebeu 1.064.209 inscritos. Os salários vão de R$ 706,48 a R$ 3.108,37 (veja ao fim da reportagem os cargos e salários). Um dos problemas detectados pela nova direção dos Correios foi a duplicidade de inscrições no concurso. Segundo o presidente dos Correios, há candidatos que fizeram sete inscrições para diferentes cargos.

David Matos explicou que a concorrência diminuirá porque cada candidato pode concorrer somente a uma vaga. Segundo ele, no dia do concurso, o candidato comparecerá somente a um local de prova. Nos demais locais onde o candidato se inscreveu, a ausência anulará a inscrição.

"Vamos nos reunir na próxima semana com a Polícia Federal (PF) para montar um plano de segurança para o concurso. Se não fizermos isso, teremos problemas. É mais seguro parar agora e reorganizar. Um mês ou mais de atraso não tem problema", disse Matos.

Segundo o presidente dos Correios, o contrato com a Cesgranrio foi assinado há duas semanas. "Eu não tive oportunidade de conversar a respeito da segurança. Quem é que vai fazer a segurança?”, questionou Matos. “Há também a questão da logística, são 400 locais de prova. A Cesgranrio não veio aqui conversar comigo”, afirmou.

Demora na escolha
A definição da organizadora demorou cinco meses, já que os Correios iniciaram o processo de seleção da empresa após o término das inscrições, em fevereiro. A data do dia 19 de setembro havia sido definida no dia 23 de julho.

No começo de julho, a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) chegou a enviar carta aos Correios solicitando esclarecimentos sobre a data de aplicação das provas e qual seria a organizadora do concurso.

De acordo com o presidente da associação, Ernani Pimentel, a demora prejudicava o candidato, já que os estudos costumam ter como base provas anteriores da organizadora. A data da prova também é importante para os candidatos fazerem o cronograma de estudos, disse Pimentel.

O processo de escolha da organizadora começou em 20 de maio, após o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizar os Correios a realizar a contratação direta da empresa que realizará a seleção.

A autorização do pedido, feita pelo ministro das Comunicações, José Artur Filardi Leite, foi publicada no dia 1º de junho no "Diário Oficial da União", na página 126 da seção 1. O documento registra a autorização "da contratação direta de entidade detentora de notória especialização e inquestionáveis capacidade e experiência na matéria".

De acordo com o então diretor de gestão de pessoas da empresa pública, Pedro Magalhães Bifano, a FGV venceu a escolha da primeira vez, entre outras seis organizadoras, porque apresentou o melhor preço. Entretanto, na hora de apresentação dos documentos, a fundação não tinha um dos requisitos (o atestado de realização de concurso em nível nacional).

O concurso estava parado desde o término das inscrições, por conta da demora na escolha da organizadora.

Foram os próprios Correios que realizaram as inscrições e optaram por contratar organizadora somente após terem o número fechado de inscritos. O motivo alegado foi a redução de custos. A empresa diz que, com o número total de candidatos, a organizadora não corre o risco de fixar para cima o preço cobrado para realizar a seleção.