O médico Fernando Alves CardosoO médico Fernando Alves Cardoso, 32 anos, formou-se em 2004 pela Faculdade de Medicina de Catanduva, especializando-se na área de Cirurgia-Geral e do Aparelho Digestivo. Ele atende em Ituverava desde agosto do ano passado, na Santa Casa e em clínica particular.
Cardoso explica que a camisinha intestinal ou “manga intestinal” ainda é uma técnica experimental, indicada para pacientes com obesidade mórbida, que estão se preparando para cirurgia definitiva.
“Já é provado cientificamente que os pacientes que serão submetidos à cirurgia buscam a cura de um grave problema, que é a obesidade. Através da nova técnica, também, os pacientes se beneficiam no pós-operatório, pois ocorre uma diminuição das complicações que possam apresentar”, afirmou.
Segundo as estatísticas até agora apresentadas, a técnica mostrou ser eficiente quanto à redução de peso, porém ainda não substitui as técnicas cirúrgicas reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. “A manga intestinal somente retarda a absorção dos nutrientes, logo que é retirada o indivíduo pode voltar a engordar, por isso que é necessário o acompanhamento psicológico”, complementou Cardoso.
Colocação
O médico diz que não há intervenção cirúrgica, porém ainda é considerado um procedimento invasivo. A manga, segundo Cardoso, é colocada por via endoscópica e anestesia geral. “Ela é colocada por endoscopia e levada até o duodeno, depois do estômago, e fixada por grampos. O período avaliado no experimento foi de 1 ano, e 90% dos pacientes tiveram redução de 30% do peso”, atestou Cardoso, que vê a técnica com bons olhos.
“É no duodeno onde as enzimas do pâncreas e do fígado são lançadas para reagirem com os alimentos para ocorrer à absorção. Com a manga intestinal, há uma barreira entre os alimentos e as enzimas nesta porção do intestino, logo se retarda o evento, havendo menor absorção do bolo alimentar”, acrescentou.
O médico enfatiza que o procedimento ainda está em fase experimental, e por isso, é necessário ainda verificar, “principalmente em longo prazo”, os benefícios e malefícios da nova técnica. “Como ainda esta na fase experimental, não há previsão do procedimento ser realizado pelo Sistema único de Saúde. Quanto há convênios e particular, as empresas e os profissionais ainda devem aguardar a conclusão dos estudos”, concluiu médico.