Com enxada, integrante de assentamento da fazenda da Barra observa o incêndio que assustou os sem-terra ontém Nada de inundações ou erosão. São as queimadas, tanto na cidade quanto nos canaviais e beiras de estrada, o principal motivo de preocupação atualmente da Defesa Civil do Estado em relação à região de Ribeirão Preto.
O temor é justificado: o número de focos cresceu 86% de janeiro a julho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram registradas 2.170 queimadas urbanas e rurais em 25 cidades da microrregião de Ribeirão, ante as 1.118 de janeiro a julho de 2009, diz a Defesa Civil.
"Nas chuvas, a região sofre com as enxurradas. Mas o que mais nos tem preocupado hoje são as queimadas", disse o coronel Luiz Massao Kita, coordenador estadual da Defesa Civil.
Ribeirão teve ontem outro registro de uma grande queimada. Dessa vez, em mata nativa na fazenda da Barra, onde vivem 468 famílias assentadas. Para conter o fogo que ameaçava as casas, os bombeiros tiveram ajuda dos sem-terra e de caminhões-pipa da prefeitura e de usinas.
A principal explicação da Defesa Civil para o aumento das queimadas é a estiagem, que está sendo mais rigorosa nesse período do que a dos dois últimos anos.
A maior parte dos focos de incêndio ocorre na beira das estradas, em canaviais ou em áreas de ocupação irregular, mas há também casos em terrenos baldios na área urbana. O tempo seco ajuda a espalhar o fogo. Embora a maioria dos incêndios seja classificada como acidental, há outra explicação.
O coronel Jovelino Barbosa Lima Filho, do Corpo de Bombeiros em Ribeirão, disse que muitos proprietários aproveitam a desculpa da estiagem para colocar fogo em determinadas áreas. Depois, dizem que foi um acidente.
Segundo ele, o número de queimadas pode ser ainda maior porque, em alguns casos, os funcionários das fazendas apagam o fogo e o caso nem é registrado.
Fonte: Folha de S.Paulo