GERAL

Os dormitórios não foram danificados pelos internos e de acordo com a assessoria (Foto: Edu Fortes/AAN)
13/08/2010

APÓS MAIS DE 9 H, REBELIÃO TERMINA EM CAMPINAS




Após mais de nove horas de rebelião, os internos da unidade Jequitibá da Fundação Casa de Campinas, no Jardim São Vicente, se renderam e colocaram fim a maior rebelião da instituição nos últimos anos. O diretor da unidade, junto com o corregedor geral e uma tropa de contenção formada por 20 funcionários entraram no prédio da unidade para negociar e fazer uma varredura após os adolescentes decidirem entregar armas e liberar os cinco internos que desde o início do motim estavam como refém. Um deles ficou por mais de quatro horas em cima de uma caixa d´água de 20 metros de altura sob ameaça de ser jogado do local caso a polícia invadisse a unidade.

Os internos que foram agredidos com pedaços de pau e até com extintores de incêndio durante a rebelião ficaram feridos e foram encaminhados para pronto-socorro. Uma comissão formada por parentes dos menores infratores também entraram na unidade para acalmar os adolescentes. Os internos foram enfileirados no pátio para revista enquanto a equipe de varredura recolhia os objetos usados como arma e faziam um balanço dos estragos causados pelos assistidos.

O corregedor da Fundação Casa, Jadir Pires Borda, afirmou que a rebelião durou bastante tempo pois os adolescentes não estavam organizados e não tinham uma reivindicação para fazer. “Iremos abrir uma sindicância para apurar as causas do motim. Também será investigado se houve alguma falha na segurança e se há abusos por parte de funcionários que, segundo os internos, os estariam agredindo”, afirmou.

Os dormitórios não foram danificados pelos internos e de acordo com a assessoria da Fundação não haverá necessidade de transferir os menores infratores para outras unidades.

Os menores se rebelaram por volta das 18h30 de quinta-feira (12) quando foram impedidos por funcionários da Fundação de fugirem da unidade. Houve um confronto e os funcionários conseguiram sair do prédio e deixar os adolescentes trancados no pátio da unidade. Os menores se aproveitaram para colocar móveis, cobertores e colchões no pátio e atear fogo. Eles destruíram e atearam fogo na área administrativa do prédio, além do refeitório, almoxarifado e da oficina de panificação.

Durante as horas de tensão os adolescentes subiram no telhado e no alambrado da unidade. Por diversas vezes jogaram pedras e objetos nas viaturas e nos policiais militares que fecharam a quadra onde fica localizado o prédio da Fundação. Alguns adolescentes ainda tentaram pular o muro da unidade para fugir, mas acabaram impedidos pela PM. Para tentar conter os internos a polícia utilizou gás lacrimogênio e gás pimenta.

Do lado de fora além dos moradores que assistiam a cena assustados, os parentes dos adolescentes foram chegando e desesperadamente tentavam negociar a rendição com os menores. “Peça para eles pararem, conversa fala que isso não irá levar vocês a lugar nenhum. Para com isso, diga para os meninos se entregarem”, afirmou a dona de casa Priscila Cristina Reis, que conversava do celular com seu marido – um adolescente de 17 anos.

Ao seu lado ao menos cinco mães faziam o mesmo e tentavam convencer os adolescentes de desistirem da rebelião. “Eles passam o celular entre eles e queremos convencê-los de parar com isso”, contou uma mãe que pediu para não ser identificada.

A.F.C., é mãe de dois internos e estava desesperada com a possibilidade da polícia invadir o local. “Eles não querem os policiais lá dentro. Eles avisaram que se entrarem o pior ocorrerá”. Do alto do alambrado e da caixa d´água os menores infratores conseguiam conversar com parentes. A maioria mãe e namoradas que pediam para que eles desistissem da ideia do motim. “Por favor meu filho, tenha fé em Deus e desce daí”, gritava desesperada uma das mães.

Fonte: Cosmo On Line