Cena do filme Chico XávierNenhum tema de cunho espiritualista é tão difundido quanto à reencarnação. É a idéia central de diversos sistemas filosóficos e religiosos. É quando uma porção do ser – chamada de consciência, espírito ou alma – é capaz de subsistir à morte do corpo, sendo capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação de um carma.
A idéia de reencarnação é milenar. Presente no hinduísmo e no budismo, ela foi incorporada por Allan Kardec, o francês que difundiu o espiritismo. “Reencarnação é uma crença antiqüíssima na humanidade e que significa a transmigração de uma alma. A pessoa morre e reencarna em outro corpo, mas a identidade do ser permanece a mesma”, explica a estudiosa da doutrina, Dora Incontri.
A crença também é base para o Jainismo, a Teosofia, o Rosacrucianismo e até para a Filosofia Platônica. Também existem vertentes místicas do Cristianismo que acreditam na reencarnação, como, Cristianismo Esotérico.
Por saber pouquíssimo sobre o tema e sua veracidade, a reencarnação fascina a humanidade ao longo de milhares de anos. O assunto é amplamente discutido, levando a polêmica para os mais variados setores da vida. Está presente, por exemplo, no cinema, onde conseguiu a aclamação da maioria do público que o prestigiou o filme “Chico Xavier” que retrata a vida do médium Francisco Cândido Xavier, obtendo um retumbante sucesso. Outro longa-metragem retrata a vida do cearense Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito” também abordou o tema, com muito sucesso.
Um clássico da literatura espírita está sendo adaptado e já considerado uma mega-produção cinematográfica. O filme “Nosso Lar” é baseado no livro homônimo psicografado por Chico Xavier em 1944. O romance – com previsão de estréia em 3 de setembro – é contado sob o ponto de vista do espírito André Luiz, que, como um repórter, transmite suas impressões sobre o mundo espiritual pós-vida.
O assunto também é discutido atualmente pela novela global “Escrito nas Estrelas”, da autora Elizabeth Jin, onde seus personagens principais Ricardo (Humberto Martins) e Victória (Nathália Dill) viveram amores em vidas passadas.
Na trama, a atriz Cássia Kiss é Francisca, uma mulher que já morreu. A personagem requer uma entrega diferente da atriz. “Todas as vezes que vou gravar uma cena, fecho os olhos e me concentro. Eu não costumo fazer isso em outros personagens, e não me lembro de nenhuma vez, fechar os olhos, juntar as minhas mãos e pedir para ser conduzida da melhor maneira possível”, conta a atriz.
Na vida real
No último domingo, o programa global “Fantástico” exibiu reportagem mostrando duas brasileiras que são parte de um estudo feito por um médico americano que, há 40 anos, investiga casos de reencarnação. Uma diz que morreu atropelada por um trem; outra, na 2ª Guerra Mundial.
Apesar de não ter comprovação científica, a teoria da reencarnação é estudada pelo médico psiquiatra Jim Tucker, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos. Ele dá continuidade à pesquisa iniciada há mais de trinta anos pelo também psiquiatra Ian Stevenson, que morreu em 2007.
Tucker diz que foram estudados 250 casos em todo o mundo. As histórias ganharam projeção internacional ao serem exibidas pela TV inglesa. Os pesquisadores colheram relatos impressionantes, inclusive no Brasil. “Fizeram alguns testes e perguntaram coisas, bom, até então eu não sabia absolutamente nada da reencarnação da minha tia”, conta Yvone Martha, corretora de imóveis.
A tia-avó de Yvone morreu durante a 2ª Guerra Mundial. Ela foi atingida na nuca por estilhaços de uma bomba em Viena, na Áustria. “Morreu com uma bomba, justamente no local que eu tenho a marca”, explica. Para os estudiosos, a marca de nascença é um sinal de que Yvone seria a reencarnação da tia-avó. E há outras coincidências: as duas nasceram no mesmo dia: 11 de setembro.
“Eu tinha dois anos mais ou menos. Dormia com a minha avó e brigava com ela. Abria a gaveta e falava: ‘Como você é desordeira e tal’. Aí ela falava: ‘Mas como você fala assim comigo?’. Aí eu falava: ‘Você não me responda, porque eu sou sua irmã mais velha’”, lembra Yvone.
Enquete
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas saber a opinião de pessoas se acreditam em reencarnação. “Acredito em reencarnação, pois creio na possibilidade de termos outra vida após a morte e voltar em outro corpo. Além disso, é uma doutrina muito interessante”, ressaltou a enfermeira Renata Sluizas, 27 anos.
Há também os que não crêem. “Não acredito em reencarnação nem na doutrina espírita, pois sou católico. Entretanto, respeito todas as religiões, pois levam ao mesmo lugar”, complementou o vendedor João Paulo Martins Silva Nascimento, 19 anos.