O Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (PDD, em inglês) – também chamado de Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) – são cinco transtornos caracterizados por atraso simultâneo no desenvolvimento de funções básicas, incluindo socialização e comunicação.
São eles: o Autismo (que é o mais conhecido); Síndrome de Rett; Transtorno Desintegrativo da Infância; Síndrome de Asperger, e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem Outra Especificação, que inclui o autismo atípico.
A psicóloga Paula Göpfert Orsatti fala sobre o mais freqüente deles, que é o autismo. Em entrevista à Tribuna de Ituverava, ela relatou que o autismo se manifesta tipicamente antes dos três anos de idade. “Este transtorno compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em alguns casos um retardo mental”, ressaltou a psicóloga.
Paula é bacharel em Direito, e especialista em Psicologia Clínica e Jurídica pelo Instituto Sedes Sapientiae (ligado a PUC-SP). Em seu consultório, disponibiliza psicoterapia para adolescentes, adultos e casais, além de ludoterapia para crianças. Atua também como perita e assistente técnica em Processos Judiciais; faz mediação e conciliação de conflitos extrajudicialmente e, atualmente, realiza trabalho social em atendimento psicoterapêutico para grupos de crianças e adolescentes no Centro Espírita Vicente de Paulo.
Não há cura para pessoas
que sofre de PDD
A psicóloga Paula Göpfert Orsatti explica que não existe cura para os que sofrem de PDD, sendo utilizados apenas medicamentos para tratar problemas comportamentais específicos. “A terapia para crianças com PDD deve ser especializada, de acordo com as necessidades de cada criança. Algumas crianças que sofrem com estes distúrbios se adaptam bem em classes especiais reduzidas, em que o ensino é ministrado na base de um para um. Outras funcionam bem em classes especiais normais, ou em classes regulares com suporte”, explicou.
Paula afirma ainda que também “é bem-vinda” a estimulação precoce, incluindo programas educacionais e serviços de apoio especializados. “A estimulação é um fator crítico no aprimoramento dos resultados de indivíduos com PDD. Há muitas crianças com PDD entre os 2 e 5 anos. Os sinais podem ser detectados facilmente no ambiente escolar, familiar, entre outros”, observou.
Tratamento
Ela relata que, para o tratamento desta síndrome, a família deve procurar profissionais especializados para o diagnóstico e “decidir qual a melhor estratégia (escola regular com facilitador, escola especial ou atendimento individual)”, afirmou Paula.
“A família precisa compreender quais são as dificuldades cognitivas de um portador de autismo e se dispor a trabalhar e se adaptar as necessidades da criança. O atendimento deve ser individualizado, idealmente um professor para cada criança. Também deve-se utilizar sempre a via visual em conjunto com a verbal para passar a informação e fazer com que o paciente mantenha contato com crianças não autistas”, complementou a psicóloga.
“No caso do autista, por exemplo, é muito difícil ouvir e prestar atenção na fala de outras pessoas. Por isso, as coisas devem ser facilitadas para eles, como, por exemplo, executar ao mínimo as conversas desnecessárias. Deve-se falar de forma clara e calma, certificando-se de ter a atenção delas antes de falar e permitindo que tenham o tempo necessário para que compreendam o que foi dito”, acrescentou a psicóloga.