Propaganda Eleitoral na televisão: “Os programas dos candidatos são tão fictícios que a realidade sumiu. Tudo ficou de repente bom, reconfortante, para quem acredita nos seriados e nas novelas”Ele está de volta! Desde a semana passada, o brasileiro voltou a conviver com o Horário Político Eleitoral Gratuito na rádio e televisão. E em dose dupla: na televisão, o programa é exibido das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55; no rádio, vai ao ar das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25.
A primeira fase se estende até dia 30 de setembro. Se houver se-gundo turno, ele volta de 16 de outubro ao dia 29. As pes- quisas de tendência podem ser registradas e divulgadas desde o 1º de janeiro de 2010. A distribuição de material de propaganda política e a reali-zação de passeatas e carreatas são liberadas até o dia 2 de outubro, véspera da eleição.
O horário eleitoral gratuito custa caro aos cofres públicos. Por conta da isenção fiscal que é oferecida às emissoras de televisão e rádio, em ressarcimento ao espaço cedido para a propaganda política, cerca de R$ 851,1 milhões deixarão de ser arrecadados, segundo estimativas da Receita Federal.
O valor — o mais alto da história — representa 0,7% do total de benefícios tributários que serão concedidos pelo órgão este ano, e supera, por exemplo, a isenção prevista para o Programa Universidade Para Todos (ProUni), que é de R$ 625,3 milhões.
Por água abaixo
A audiência televisiva despencou na capital e grande São Paulo após os primeiros minutos do horário político. Com base na medição minuto a minuto do Ibope da Rede Globo, o jornal ‘O Estado de São Paulo’ realizou um levantamento entre 20h30 e 21h20 de terça e quinta-feira. O resultado indicou que o telespectador desligou a TV logo no início do programa e voltou a ligá-lo nos minutos finais.
A exemplo do primeiro dia de propaganda dos presidenciáveis, o mesmo fenômeno se repetiu na quinta-feira. O chamado share – porcentual de TVs ligadas – também despencou neste dia. Às 20h30, era de 51,2% na Rede Globo. Dez minutos depois, atingiu a marca mais baixa nos 50 mi-nutos do horário político, com 44,4%.
Enquete
A função do Horário Eleitoral Gratuito é proporcionar ao eleitor a oportunidade de escolher melhor seu voto, dando chance aos candidatos de exporem suas propostas. Entretanto, a incredulidade do eleitor brasileiro se tornou tão grande que o programa é considerado pela população como um estorvo na programação de TVs e rádios. Uma coisa é certa: que ele influencia, não há dúvidas.
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar ao eleitor ituveravense sobre o horário político. As opiniões divergem. A consultora técnica Luciana Almeida, não aprova. “Sou contra, acho que o voto deveria ser opcional e que o político deveria subir em palanque para expor as suas idéias como era feito antigamente, pois assim, participaria quem quisesse e preservaria a direito de escolha”.
“Estamos em uma democracia, e o horário eleitoral é um modo dos políticos exporem suas plataformas, e ainda mais importante para a população saber sobre suas idéias e decidir em quem votar”, defende o motorista João Vicente Afonso, 63 anos.
Veja, abaixo, a íntegra das respostas:
Finalmente, um lampejo de democracia na política brasileira corrigiu uma aberração. Na última quinta-feira, o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu as restrições aos humoristas de usarem trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradassem, ou ridicularizassem candidatos, partidos ou coligações, e de produzirem ou veicularem programa com esse efeito. Na prática, foi o fim da censura às piadas, liberando sátiras e charges de políticos.
A Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert) entrou com uma ação e argumentou que não vale sacrificar a democracia para poupar políticos. “Eu acho que é uma decisão histórica que reafirma o compromisso do STF com as guarda da Constituição e com a proteção de garantias tão caras à democracia, como são a liberdade de informação jornalística, a liberdade de expressão artística nos veículos de comunicação”, diz Gustavo Binenbojm, consultor jurídico da Abert.
Nos Estados Unidos já é assim: em horário nobre, os candidatos entram no clima da brincadeira e participam de programas de humor. Nesse edição do Saturday Night Live, da rede NBC, o ex-candidato à presidência dos EUA, John MacCain, aparece ao lado de uma atriz que faz uma sátira à vice dele nas eleições, Sarah Palin.
No Brasil, humoristas que foram às ruas no domingo, 22 de agosto, no Rio de Janeiro, para pedir o fim da censura, comemoram. “Isso é muito importante você poder dizer o que quiser sobre qualquer assunto. Porque não é que só eu quero fazer piada de político, quero poder escolher fazer piada de político ou não, Eu quero poder escolher fazer piada com taxista, com jornalista, com comediante com quem for”, explica o humorista Fábio Porchat.
A descabida decisão do TSE entrou em vigor no início do pleito eleitoral, proibindo fazer humor com candidatos em programas de rádio e TV. Além da classe de humoristas, a medida revoltou a população, imprensa, órgãos de comunicação, até de outros países, já que qualquer cidadão com o mínimo de discernimento sabe que se tratava de uma afronta à democracia e à liberdade de comunicação.