10/09/2010
SINOPEC E CNOOC PODEM FAZER OFERTA DE U$ 7 BILHÕES POR ATIVOS DA OGX, DE EIKE BATISTA
HONG KONG - As chinesas Sinopec Group e CNOOC estão fazendo ofertas por participações em ativos detidos pela OGX, empresa petrolífera iniciante do empresário Eike Batista, em uma operação potencial de US$ 7 bilhões, afirmaram fontes com conhecimento direto do assunto nesta sexta-feira.
A OGX, parte do grupo EBX de Batista, está considerando vendas de participações em alguns de seus blocos petrolíferos depois de fazer uma série de descobertas de hidrocarbonetos nos últimos meses.
A companhia conduz atividade exploratória em 29 blocos no Brasil, a maioria em águas rasas.
Em maio, em entrevista à Reuters, Batista afirmou que uma eventual parceria entre a sua empresa de petróleo e grupos chineses envolveria a construção de uma refinaria.
A declaração foi feita depois de a companhia ter anunciado ao mercado que estava em processo de venda parcial de blocos na bacia de Campos. A OGX informou na oportunidade que estava vendendo de 20% a 30% em sete blocos de Campos.
A assessoria de imprensa da OGX informou nesta sexta-feira que a empresa não tinha nada a acrescentar no que já foi divulgado anteriormente e que não poderia revelar nem nomes das empresas, nem as nacionalidades das companhias que estavam em processo de negociação.
As ações da OGX na Bovespa operavam em alta de 1,21% às 10h23, após terem iniciado com ganhos de 2% por cento, enquanto o Ibovespa operava com ligeira alta de 0,36%. Acompanhe o dia no mercado financeiro.
O Morgan Stanley está assessorando a Sinopec, uma das maiores refinarias da Ásia, disseram duas fontes, sem dar detalhes sobre a estrutura da oferta. O Bank of America-Merrill Lynch está trabalhando com a CNOOC, maior produtora marítima de gás e petróleo da China, disse outra fonte com conhecimento direto do assunto.
A Sinopec e a CNOOC provavelmente lançarão uma oferta conjunta, acrescentou uma das fontes, mas o valor final para um acordo ainda está sendo discutido.
- Se você olhar para os números do vendedor, você pagaria US$ 7 bilhões, mas está em um estágio muito inicial", disse uma das fontes.
- Não creio que a transação vá acontecer a um valor muito abaixo de US$ 5 bilhões.
A notícia sobre os mandatos concedidos aos bancos e sobre o potencial tamanho para uma operação surge depois de rumores sobre interesse informal chinês na OGX nos últimos meses, com informações da mídia afirmando que a Sinopec e a CNOOC mantiveram discussões com a OGX sobre uma participação de 20% em um campo marítimo de petróleo na bacia de Campos.
Um acordo pode também incluir um equivalente em ações da OGX, disseram as fontes, mas ainda não está claro se a OGX venderá ações da companhia.
- A estrutura do acordo que está sendo colocado na mesa tem alguns componentes diferentes entre si, não é apenas no nível dos ativos, pode haver participação que a OGX queira vender - disse uma das fontes.
Morgan Stanley e Bank of America-Merrill Lynch não comentaram o assunto quando procurados pela Reuters. Representantes da Sinopec e CNOOC não puderam ser contatados imediatamente.
Outros potenciais ofertantes mencionados pela mídia brasileira incluem Chevron, Statoil e Exxon Mobil.
Agressivos
A China tem se tornado um importando investidor direto no Brasil este ano. O acordo com a OGX poderia representar outra vitória para os chineses, que buscam recursos naturais para alimentar sua forte economia.Um acordo com a OGX marcaria outra vitória para a China, que está agressivamente buscando recursos naturais na América Latina. Em maio, a Sinochem obteve uma participação de cerca de 3 bilhões de dólares em Peregrino, campo petrolífero da Statoil no Brasil.
- Eu acredito, falando de modo genérico, que é basicamente uma jogada da China agora - disse uma das fontes, referindo-se à OGX.
- Os chineses tendem a ter uma postura mais agressiva sobre esses tipos de ativos. Se você lembrar da rodada final de Peregrino, ficou com Sinochem, Sinopec e PTTEP. Não houve uma única grande empresa ocidental.
Fonte O Globo