Três das dez melhores ligações rodoviárias do país passam pela região de Ribeirão Preto, segundo pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte) sobre a qualidade das estradas.
O levantamento mostra ainda que as 14 rodovias que cortam a região estão em condição geral boa ou ótima. Apenas uma dessas 14, porém, não cobra pedágio.
A ligação entre São Paulo e Uberaba (MG), que passa por Ribeirão via Anhanguera, está em quinto lugar entre os dez melhores trechos rodoviários do Brasil.
O conjunto de vias que conectam Araraquara, São Carlos, Franca e Itirapuã aparece na oitava posição no ranking da confederação.
Em nono lugar no estudo está a ligação entre Catanduva, Taquaritinga e Ribeirão, feita pelas rodovias Armando Salles de Oliveira, Orlando Chesini, Anhanguera e Pedro Monteleone.
Mesmo com o nível de aprovação das rodovias, o pedágio é o ponto nevrálgico, e até se transformou em um dos temas de palanque na disputa para governador.
O presidente do Sindetrans (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Ribeirão Preto e Região), Wilson Píccolo Soares, disse que as estradas "são muito boas, mas também muito caras".
Segundo ele, a região movimenta R$ 800 mil por ano em fretes e cerca de 15% do valor vai para pedágio. "No final, os clientes pagam mais caro." O Sindetrans abrange 80 cidades e 1.956 empresas.
A cobrança de pedágios é, segundo o engenheiro civil e mestre em Transportes Creso de Franco Peixoto, o melhor sistema para manutenção de estradas. Ele afirma, porém, que o Estado poderia ter tarifas até 30% mais baratas.
Para isso, o modelo de outorga onerosa das vias -em que a concessionária precisa passar parte do valor ao Estado- teria de ser substituído. "Esse modelo foi adotado em 1996 para salvar o Estado, que estava deficitário. Isso não é mais necessário."
De acordo com o presidente de Transporte de Cargas da CNT, Flávio Benatti, a pesquisa deste ano comprova o que já era observado em levantamentos anteriores: "Rodovias privatizadas têm melhores condições".
Ele disse que as outorgas onerosas no Estado possibilitaram investimentos em estradas paulistas, mas afirmou que contratos que não preveem retorno de valores para o governo são mais benéficos aos usuários.
"Sem a outorga, cobra-se dos motoristas a prestação do serviço e não um imposto permanente", disse Benatti.
Fonte: Folha de S.Paulo