O Mercado Municipal - “Mercadão” -, um dos símbolos de Ribeirão Preto, comemora, nesta terça-feira (28), 110 anos. O local, cravado no meio da cidade, entre as ruas São Sebastião, José Bonifácio, Américo Brasiliense e avenida Jerônimo Gonçalves, já foi o mais importante centro comercial da cidade e, ainda hoje, com o surgimento dos grandes supermercados, dos shoppings centers e até de outro mercado semelhante, ainda mantém uma clientela fiel, que tem uma predileção por seus boxes e comerciantes.
Inaugurado em 1900, o prédio foi reconstruído e reaberto em 28 de setembro de 1958, após 16 anos do incêndio que o destruiu totalmente. O novo prédio, que permanece até hoje, foi projetado pelo engenheiro Jaime Zeiger, com arquitetura moderna para a época e um mural de pastilhas feito pelo artista Bassano Vaccarini.
Hoje conta com 149 boxes e 65 permissionários e recebe entre 4 mil e 6 mil pessoas todos os dias em busca da variedade e qualidade dos produtos, que variam de gêneros alimentícios a artigos religiosos e objetos típicos de diversas regiões do País. O Mercadão é referência para e consumidores em produtos como queijos, carnes, peixes, temperos e até de produtos pouco usuais nos dias de hoje.
Variedade
O armazém do “Seo” Hugo Nociolini é o melhor exemplo da variedade de produtos encontrados no Mercadão. Em meio a grãos, produtos de limpeza e utilidades domésticas, são cerca de 3 mil itens, entre eles moedor manual de café, torrador de café, moedor manual de carne, descascador de laranja, ralador de milho verde, urinol, potes de barro e panelas de ferro.
Comerciante Há 45 anos, 30 deles dentro do Mercadão, “Seo” Hugo não gosta de dizer “não tenho” aos seus clientes. “Vem um aqui e pergunta se tem, vem outro e procura a mesma coisa, então eu já anoto para ir atrás”, diz.
Uma das figuras mais conhecidas do Mercadão, “Seo” Hugo, aos 82 anos, não sabe o que são férias. Todos os dias, chega religiosamente às 6h e sai às 18h. “Não posso largar o meu dever porque não sei o dia de amanhã”, afirma.
Tradição
Mas o armazém de seu Hugo não é o mais antigo do Mercadão. Esse título é da família Massaro, que desde 1926, vive do comércio no local. Atualmente, os negócios são tocados por Ismael Massaro, que nos seus 70 anos de vida ligados à história do mercado.
Antes de nascer, seu pai já tinha uma casa de sementes e resistiu bravamente aos infortúnios que o local passou. “Em 1942, um grande incêndio acabou com o Mercado, mas os comerciantes fizeram barraquinha em cima do terreno, até o que, durante a campanha para prefeito, em 1956, o Cóstabile Romano disse que ergueria um novo mercado”, conta.
Por dois anos, os comerciantes transferiram suas barracas para a avenida Francisco Junqueira até que a promessa foi realizada dois anos depois.
Desde os anos 50, Massaro observa, de uma das esquinas mais centrais do Mercadão que tem quase 3 mil itens, entre sementes e temperos, as modificações da cidade, dos clientes e dos hábitos. “A linhaça, por exemplo, que hoje a gente vende bastante para as pessoas, sempre foi vendida para passarinho e cavalo”, conta.
Tantos anos de comércio ensinaram Massaro a se adaptar aos novos tempos, mas também lhe deu a certeza de que o Mercado resistirá a todas elas. “Mercado, ferrovia e rádio nuca caem de moda”, diz.
Fonte: EPTV.com