GERAL

O engenheiro ambiental Alessandro Souza da Silva
05/12/2010

PROFISSIONAL EXPLICA A ENGENHARIA AMBIENTAL


Recém-chegado a Ituverava, Alessandro Souza da Silva fala sobre sua carreira e área que ela abrange

mercado de trabalho está expandindo, e todos os dias estão surgindo novas profissões. O objetivo é atender às demandas especializadas, constituindo novas carreiras a partir do desmembramento de antigas linhas profissionais. Algumas delas podem representar boas oportunidades de trabalho.
O mineiro Alessandro Souza da Silva, 30 anos, apostou nesta nova realidade. Ele é engenheiro ambiental, já que o meio ambiente é hoje uma das preocupações do planeta. Formado em dezembro de 2009 pela Fundação Educacional de Fernandópolis (FEF), ele abriu um escritório em Ituverava, oferecendo vários serviços.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Silva fala sobre os motivos que o levaram a escolher a profissão, e explica a função do engenheiro ambiental. Recém-chegado a Ituverava, ele dá dois diagnósticos sobre problemas relacionados à sua área na cidade.

Natural de Uberaba, ele é filho da professora Lídia Rezende Paula Souza e de Antônio Carlos da Silva, que hoje residem em Miguelópolis. Alessandro é neto da professora aposentada Orphalina Alves de Rezende Souza, residente em Ituverava.
Veja, abaixo, a íntegra da entrevista, concedida via e-mail:

Tribuna de Ituverava – Quando e onde se formou? Por que optou pela Engenharia Ambiental?
Alessandro Souza da Silva – Eu me formei em Técnico em Agropecuária em 2000, pela Escola Estadual Laurindo Alves de Queiroz, de Miguelópolis; estagiei por 90 dias na UFV em Viçosa-MG e iniciei o curso de Agronomia em 2001. Em dezembro de 2009, conclui o curso de Engenharia Ambiental pela Fundação Educacional de Fernandópolis (FEF).

Optei pela Engenharia Ambiental por ser uma profissão nova e em crescimento no mercado de trabalho, estava em 2º lugar nas profissões de futuro. A cada ano que passa, as normas e legislações ambientais passam a ser cada vez mais incorporadas, exigidas, cumpridas e fiscalizadas, tornando-se rotinas para as grandes, médias e pequenas empresas, prefeituras, entidades, entre outros.Com o aumento da fisca-lização, está havendo uma deficiência à falta deste profissionais no mercado de trabalho. Este foi um dos fatores que pesaram em minha opção profissional, na qual eu estou muito feliz.

Eu me identifiquei muito com a grade curricular das disciplinas no curso, que é como qualquer outra Engenharia, exceto nos três últimos anos, quando são apresentadas disciplinas específicas do curso de Engenharia Ambiental.

Tribuna de Ituverava – Do que trata a Engenharia Ambiental? Em quais segmentos atua?
Silva – A Engenharia Ambiental é um ramo que estuda os problemas ambientais de forma integrada nas suas dimensões ecológica, social, econômica e tecnológica, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável com qualidade de vida.

O engenheiro ambiental atua em diversos níveis da administração pública e privada; na análise de estudos de impactos ambientais para fins de licenciamento; no acompanhamento e monitoramento de projetos e empreendimentos de engenharia nas fases de construção e operação e na definição e gestão das políticas ambientais. Atua também como engenheiro de projetos, na concepção, elaboração e execução de obras ou empreendimentos potencialmente causadores de impactos ao meio ambiente. Além disso, pode ser pesquisador, desenvolvendo novas técnicas e métodos de avaliação e análise de impactos ambientais. Atua na área de ensino e formação de recursos humanos, através da participação em instituições de ensino superior ou dentro de indústrias orientando os estágios e programas de bolsas.
Este profissional pesquisa sobre diversos assuntos, e desenvolve e aplica tecnologias que buscam promover o desenvolvimento econômico com preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.
Para tanto, propõe preservar a qualidade da água, ar e solo; realizar o planejamento ambiental; contribuir para a preservação dos recursos naturais; promover o saneamento básico; gerenciar matrizes energéticas; controlar a poluição; potencializar projetos de educação ambiental e atuar em regiões de preservação e recuperação ambiental.

Tribuna de Ituverava – O sr. inaugurou seu escritório recentemente à Rua Coronel José Nunes da Silva, 787. Quais serviços o sr. presta?
Silva – Sim, presto serviços que vão desde Consultoria, Monitoramento e Projetos Ambientais para empresas privadas, prefeituras, pessoas físicas e jurídicas conforme suas necessidades e prioridades.
Trabalho com laudos técnicos; licenciamentos ambientais; mapeamento de propriedades rurais por satélite; outorga de direito de uso de recursos hídricos – Individual e Coletivo; Planejamento e Gestão dos Recursos Hídricos (PGRH), Planejamento e Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos (PGRSU); Projeto Técnico de Recomposição da Flora (PTRF); Projeto Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD); Programa de Gerenciamento de Riscos Ambientais (PGRA); Programa de Educação Ambiental e Patrimonial (PEAP); Pericias Ambientais.

Tribuna de Ituverava – Por que escolheu Ituverava para trabalhar nesta área de meio ambiente?
Silva – Primeiramente, sempre gostei de Ituverava. Em segundo lugar, porque notava uma defasagem na área de Engenharia Ambiental na cidade e região, onde muitos produtores, empresários, Prefeituras, Poder Público, tem de buscar fora profissionais da área para executar projetos, consultoria, monitoramento, licenciamento ambiental, outorga, projeto técnico de recomposição da flora, Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas. Mapeamento de Propriedades Rurais por Satélite, Averbação de Reserva Legal, Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos, Planejamento e Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, enfim.
Agora Ituverava e região podem contar com este profissional viabilizando ainda mais os seus custos na sua contratação, que vinha de fora para realizar os trabalhos. Silva – Ituverava é uma cidade que tem tudo para se tornar referência regional nas questões ambientais. A cidade dispõe ainda de uma unidade da CETESB, Polícia Ambiental, Associação de Catadores de Lixo, é uma cidade turística (Cachoeira Salto Belo), além de ser universitária (FAFRAM, FFCL e ETEC), o que falta é vontade e interesse dos administradores para melhorar a qualidade de vida dos Ituveravenses.
Mas por outro lado, no tocante a esfera administrativa, é preciso trabalhar algumas questões, como planejamento ambiental, zoneamento ambiental, identificando cada situação e voltando suas políticas públicas para o seu plano diretor, criação de leis municipais, fiscalização, ampliação de equipe de trabalha, infra-estrutura.

Sugiro, ainda, a criação de uma usina de reciclagem dos resíduos da construção civil, uma vez que estes resíduos são depositados próximos a empresa DVA, na Rodovia Willian Amim, e podem ser usados em pavimentação, e fabricação de tijolos.

Tribuna de Ituverava – Como o sr. chegou a detectar algum problema no município de Ituverava? Quais são eles e como seriam as soluções?
Silva – Pelo pouco que observei na cidade, Ituverava apresenta os mesmos problemas dos grandes centros urbanos, reflexos causados pelas ações antrôpicas relacionadas ao uso e ocupação do solo de forma desordenada, sem planejamento, levando como conseqüências os problemas ambientais como: enchentes, assoreamentos, poluição dos cursos d’água, disposição de resíduos sólidos (lixos) em local impróprio (terrenos baldios), etc.

Cito dois exemplos que ocorrem na cidade há anos e ainda não foram solucionados. O primeiro é o escoamento superficial de uma precipitação entre 30 mm a 50 mm aproximadamente, que é suficiente para alagar a Avenida Av: Dr. Soares de Oliveira. Isso ocorre porque a cidade é deficiente em sistema de drenagem urbana, e quando tem, uma “boca de lobo” fica longe da outra.
Se levarmos em consideração a precipitação pluviométrica (chuva) e seu escoamento superficial, que vem da parte alta para a parte baixa, conseqüentemente os volumes de escoamento superficial (enxurradas) aumentarão cada vez mais, bem como seu poder destrutivo causado pela velocidade de escoamento. Isso pode alagar residências, destruir pontes, causando erosões hídricas, etc.
Existe solução para isso e os investimentos são onerosos para os cofres públicos. Mas são de suma importância para a comunidade. Cabe um planejamento do Departamento de Obras para melhorar o sistema de drenagem urbana, construindo onde não tem e onde está deficiente, diminuindo os espaços entre uma boca de lobo e outra. Entretanto, é preciso calcular corretamente o dimensionamento e diâmetro das tubulações (manilhas) para receber estas águas pluviais e sua bacia de contribuição.
O segundo ponto a ser mencionado trata do transbordamento em um posto de visita (PV) – também chamado como ‘tampa’ da rede de esgoto – localizado à Rua Miguel Amêndola, em frente ao Duque Gás. Isso ocorre porque se encontram várias residências com suas ligações de águas pluviais nas redes de esgoto doméstico causados pelo saturamento da capacidade de vazão da rede coletora de esgoto.
Esta situação pode gerar graves danos ambientais, como proliferação de doenças de veiculação hídrica, poluição visual, mau cheiro em um raio de 100 m na vizinhança, conforme direção do vento, desvalorização de propriedades (porque ninguém quer morar em um lugar assim ou próximo), e poluição da água.

Além disso, mananciais muitas das vezes são utilizados por propriedades rurais em suas atividades, desde as necessidades particulares e de seus rebanhos (gado, suíno, galinha). Estes animais vão para o abate, posteriormente, e suas carnes estarão nos açougues e supermercados para consumo, trazendo danos a saúde humana, além dos efeitos cumulativos das substâncias tóxicos, como metais pesados. Isso tudo é causado pelos lançamentos de esgoto sem tratamento nos mananciais.
Neste caso específico, deve haver a implantação das redes de drenagens pluviais onde não tem e onde é deficiente. Além disso, deve haver uma equipe de fiscalização nas obras e construções civis urbanas para observar corretamente as ligações prediais, residências, empresariais, para assim, discriminar o que pertence à rede de esgoto, à cozinha, à área de serviço e aos banheiros, separando-o das demais cargas (quintal, telhado, casa, alpendre, varanda). Estes últimos devem ser conduzidos para a rede de águas pluviais.

Tribuna de Ituverava – Como você vê a política de meio ambiente hoje no Brasil?
Silva – A política de Meio Ambiente no Brasil é considerada uma das mais avançadas do mundo, o que falta é uma maior fiscalização para que sejam cumpridas as leis ambientais, e ao mesmo tempo acredito que deveria haver uma política voltada para dar maiores subsídios e incentivos fiscais para as empresas e produtores rurais que as cumprirem.

Serviço

Engenheiro Ambiental Alessandro Souza da Silva – Rua Coronel José Nunes da Silva, 787, Centro, Ituverava – Telefones: (16) 9274-8629, (16) 9783-9026, (17) 9628-7434 – email: alessandro_engenheiro_

ambiental@hotmail.com