O geovernador Geraldo Alckmin falando sobre sua intenção em mudar o sistema de Progressão ContinuadaBastante criticado por autoridades na área da Educação, o sistema da Progressão Continuada, implantado na rede estadual paulista, sofrerá mudanças. A principal delas será quanto à reprovação dos estudantes.
A equipe de governo de Geraldo Alckmin implantará mais um ano para retenção, no caso, o 3º Ano do Ensino Fundamental. Assim, o número de ciclos sobe de dois para três. Dessa forma, os alunos poderão ser reprovados na 3ª série, na 6ª série e na 9ª série. Hoje, o aluno do Ensino fundamental só pode repetir ao final do 5º e do 9º Ano.
A antecipação da reprovação permite que o aluno com sérias dificuldades seja recuperado mais rapidamente – em vez de demorar cinco anos para refazer uma série, passe a ser depois de três.
O provável efeito colateral será o aumento da repetência. Estudos mostram que o repetente tende a piorar as notas e tem mais chances de abandonar a escola. “Pessoalmente, acho que vamos ficar mesmo com três ciclos”, afirmou o secretário-adjunto da Educação, João Cardoso Palma Filho. Ele ressaltou, porém, que o assunto ainda está em análise na Secretaria.
Deverá haver também consulta aos professores sobre a mudança, que deve entrar em vigor em 2012. Segundo Palma Filho, outro ponto analisado é o modelo de reforço escolar. O novo titular da Educação, Herman Voorwald, disse que irá se pronunciar logo, junto com o governador Alckmin, que adiantou: “o sistema é fundamental, mas precisa de revisão”.
Secretaria da Educação fala
sobre mudanças anunciadas
A Tribuna de Ituverava procurou a secretária municipal de Educação, Maria Sara Abdalla Martins, para se manifestar sobre o atual sistema e a modificação.
“O regime da progressão continuada em si é excelente e só se converterá num elemento de qualidade para a escola se os seus princípios não forem desvirtuados ou manipulados”, ressaltou.
Segundo a secretária, o sistema prevê o acompanhamento regular do rendimento do aluno, para que sejam feitas intervenções imediatas e eficazes. “Entretanto, para que isto ocorra realmente, tem de existir nas escolas públicas condições materiais institucionais e pedagógicas para o seu funcionamento. Não é simplesmente jogá-la na rede de ensino e esquecer as demais condições que a sustenta”, afirmou Maria Sara.
“Por outro lado, antes, a reprovação era, muitas vezes, um mecanismo nas mãos de profissionais da educação ligado a disciplina e ao interesse do aluno. Entretanto, quando reprovamos o estudante estamos afirmando que a culpa é unicamente dele e nos esquecemos que são diversos os fatores a serem analisados, como o sistema, a escola e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação”, explicou.
A secretária relata que a Progressão Continuada ocorreu em 1998, na gestão do Governador Mário Covas. Foi ditada de cima para baixo, sem orientações e discussões para pais, alunos e professores. “Diante disso, houve um mal entendido em relação aos objetivos desta progressão, motivo pela qual sofreu fortes resistências, dos educadores, sindicatos e da população”, finalizou Maria Sara.