02/02/2011
MORTES CRESCEM EM 34 CIDADES DA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO
A família do pintor e garçom Ewerton Marques Mariotto, 28, de Jaboticabal, não sabe até hoje por que o primo, após uma discussão, decidiu matá-lo no meio da rua, com um tiro no peito, em julho do ano passado.
A morte de Ewerton é uma das muitas registradas em 34 cidades da região de Ribeirão, onde cresceu o número de assassinatos em 2010.
A alta na região segue caminho contrário ao da capital e da Grande SP, segundo dados divulgados anteontem pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.
O aumento foi registrado principalmente em cidades pequenas, entre as que compõem o Deinter-3 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), em Ribeirão.
Delegados afirmam que a maioria dos homicídios ocorre por razão passional ou briga, mas especialistas dizem que é possível reforçar o policiamento e as investigações para inibir esse tipo de crime.
MORTE SEM RAZÃO
Jaboticabal registrou a maior taxa de homicídios: 9,77 assassinatos para cada 100 mil habitantes -a cidade possui 71.667 habitantes.
Foram sete mortos no ano passado, ante apenas dois em 2009. Segundo o delegado do município, Oswaldo José da Silva, a maior parte dos casos é passional.
"A maioria são crimes passionais, brigas, em que é difícil desenvolver um trabalho preventivo", disse.
A cidade tem três delegacias -sendo apenas dois fixos-, uma cadeia e uma unidade da Ciretran. Apesar da falta de equipe, Silva diz que a situação ainda é melhor do que a das cidades vizinhas.
Uma das mortes, a de Ewerton Mariotto, 28, destruiu a família. A depressão atingiu a mãe, a avó e o irmão, que estava no carro quando o primo se aproximou e atirou contra Ewerton. "Ele estragou a minha família e também a dele. Agora meu filho está no cemitério", disse Adejair Mariotto, 50.
Em números absolutos, Ribeirão tem mais homicídios: passaram de 40 para 42. Guariba, porém, teve o maior salto: de apenas um assassinato em 2009 para 12 casos no ano passado (1.100%).
Por outro lado, 33 cidades não registraram um homicídio sequer em 2010.
Na opinião de José Vicente Filho, consultor em segurança pública, é possível aperfeiçoar o controle da polícia mesmo para crimes que parecem passionais.
"Algumas agressões entre marido e mulher ou desafetos podem levar a casos mais sérios e é mais fácil em uma cidade do interior, menor, a polícia tomar ciência."
Para ele, a polícia deve reforçar o policiamento e a investigação dos crimes já ocorridos para provocar um efeito de intimidação em potenciais criminosos.
Fonte: Folha de S.Paulo