ECONOMIA

20/02/2011

META DO GOVERNO É EVITAR CRESCIMENTO ABAIXO DE 4%




Apesar da previsão oficial de crescimento econômico de 5% neste ano, o governo Dilma já trabalha reservadamente com um número menor, de 4,5%, como cenário mais provável diante das medidas adotadas para evitar que a inflação rompa o teto da meta, de 6,5%.

Dentro do Palácio do Planalto, o maior temor é que o desempenho da economia, por conta da alta de preços e do ambiente externo, seja ainda pior, ficando abaixo de 4%. Alguns analistas do mercado financeiro revisaram suas projeções e estimam crescimento de 3,9%.

A ordem da presidente Dilma, segundo assessores, é evitar que isso ocorra. Segundo a Folha apurou, o governo deseja fixar 4% como piso para o crescimento em 2011.

A avaliação é que um número abaixo desse patamar seria ruim. Além de afetar o nível da receita federal, reduzindo os investimentos públicos, poderia desencadear uma onda pessimista entre empresários e trabalhadores, o que dificultaria a recuperação numa etapa seguinte.

Ao mesmo tempo, teme-se uma disparada generalizada dos preços. Dilma tem insistido nas reuniões internas em que, no caso de piora acentuada do cenário inflacionário, o Banco Central e o Ministério da Fazenda devem tomar as medidas necessárias para evitar que a inflação rompa o teto da meta -dois pontos acima de 4,5% no final do ano.

A presidente tem dito que seu primeiro ano de governo será de transição e que adotará as medidas para entrar 2012 com o cenário econômico equilibrado e a inflação próxima do centro da meta.

Para o Palácio do Planalto, 2011 é um ano de sacrifícios.

Reservadamente, a equipe de Dilma trabalha com um teto para a inflação de 2011 de 6%. Até aí seria tolerável, dependendo do ambiente econômico. A previsão do governo, porém, é que a inflação feche o ano em 5,5%.

Pelo cenário traçado, a inflação pode bater, até junho, perto de 6,5% no acumulado de 12 meses. Depois, começaria a cair, voltando a ficar próxima do centro da meta, de 4,5%, no segundo ano de governo de Dilma.

CENÁRIOS
No mercado financeiro, gradualmente, as projeções começam a convergir para esse patamar. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola revisou na semana passada a projeção de crescimento em 2011 de 4,5% para 3,9%.

Com o IPCA (índice oficial de inflação) elevado de janeiro, a aposta é que o BC anuncie, ao menos, mais três altas de 0,5 ponto percentual na Selic (taxa básica de juros).

"Há ainda as medidas de contenção do crédito que não surtiram efeito integralmente", argumenta Loyola. O próprio efeito da inflação, que corrói o poder de compra dos salários, ajudará a desacelerar a economia. "É o preço que vamos pagar pela alta da inflação", diz o ex-BC.