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Brasil está entre os dez países que mais consomem bebidas alcóolicas no mundo
25/02/2011

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Padrão de consumo de álcool no país favorece a dependência

Brasil figura na lista dos dez países que mais consomem bebidas alcoólicas no mundo

Pelo menos uma vez por semana a publicitária Leila (nome fictício), 35 anos, “enche a lata”. Já o atendente de telemarketing Ricardo (nome fictício), de 25 anos, conta que prefere nem beber durante a semana para não ter problemas para trabalhar no dia seguinte.

"Eu sei que, se eu tomar uma lata de cerveja, vou tomar duas, três e por aí vai". Nem Leila nem Ricardo podem ser considerados dependentes de álcool. Mas ambos seguem um padrão de consumo que é típico do brasileiro: o “binge drinking” ou “beber pesado episódico" (mais de cinco doses para homens e quatro para mulheres em uma ocasião).

“Em vez de beber todos os dias, moderadamente, às refeições, como os europeus, os brasileiros bebem tudo de uma vez no fim de semana. É um padrão prejudicial, pois aumenta o risco de dependência e deixa a pessoa mais sujeita a intoxicação e comportamento de risco, como sexo desprotegido, abuso de nicotina e dirigir embriagado”, afirma a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da USP Camilla Magalhães Silveira.

Ela coordenou, no Brasil, parte de uma investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizada em 28 países com o intuito de medir a prevalência de transtornos mentais na população. Mais de 5 mil pessoas participaram da pesquisa na região metropolitana de São Paulo, escolhida para representar o país.

Os dados obtidos revelam que, enquanto o consumo per capita anual de bebida alcoólica na França é de 18 litros por pessoa, no Brasil está abaixo de 8 litros. No entanto, a taxa de abuso e dependência aqui é de 4%, enquanto entre os franceses é de apenas 0,8%.

“A OMS tem uma escala que vai de 1 a 4 que mostra o quanto é prejudicial o consumo em cada país. O Brasil recebeu nota 4, a de maior gravidade. Já os europeus têm um padrão de consumo protetor, que até faz bem à saúde”, explica.

O estudo revelou ainda que 86% dos entrevistados haviam consumido ao menos uma dose de bebida alcoólica na vida, e 56,2% consomem regularmente (pelo menos 12 doses em 12 meses). A taxa de dependência foi de 3,3% e a de abuso, de 9,4%.

“Ainda que os abusadores não sejam a maioria no País, o impacto na saúde é grande. Isso resulta em acidentes de trânsito, em violência física e verbal e prejudica o rendimento no trabalho e no estudo", afirma Arthur Guerra, um dos maiores especialistas do País no tratamento de dependentes de álcool e drogas.

“Não sei ao certo o quanto bebo, pois há sempre mais pessoas na mesa. Só sei que no fim da noite há pelo menos 20 garrafas de cerveja amontoadas ao lado”, diz Ricardo. “Além disso, em festa, extrapolo mesmo”.

Veja, na íntegra as respostas: