O Brasil vai receber esta semana uma visita importante do chefe de estado que representa a maior economia do planeta: Barack Obama. Durante a viagem do presidente americano Barack Obama ao Brasil vai ter até turismo. O presidente Obama pode conhecer o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.
A viagem tem, é claro, um lado político importante. Ele vai se encontrar com a presidente Dilma Rousseff e vão assinar vários acordos. Para ela será um ótima chance para mostrar algumas mudanças na política externa brasileira. O Itamaraty não tem perdido uma oportunidade sequer de afirmar a defesa dos direitos humanos.
A primeira visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil é cercada de expectativas. “A relação com os Estados Unidos tinha ficado um tanto estremecida no final do governo passado e agora, com o anúncio de que a própria presidente queria fazer uma visita a Washington, a próxima visita do presidente Obama é claramente uma atitude diferente de parte a parte. Os Estados Unidos são a maior potência econômica do mundo, o maior mercado, a maior fonte de tecnologia e, portanto, continuam a ser um parceiro importante para nós”, afirmou o ex-ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia.
A reaproximação com os Estados Unidos seria um dos sinais de mudança na política externa.
É o que pensa o cientista político Luciano Dias. Ele diz que, pelo menos, uma decisão do governo Dilma já deixou isso claro.
“A suspensão da compra dos caças, a revisão do acordo militar, acordo estratégico feito com a França em função dos problemas fiscais internos. Então, este é um governo que não está disposto a fazer sacrifícios em torno de questões definidas pelo governo anterior. Basta isso para configurar uma diferença importante com relação ao estilo do governo anterior”, avalia o cientista político.
Para alguns analistas, a mudança mais evidente na política externa até agora é em relação aos direitos humanos. Antes mesmo de tomar posse, a presidente Dilma Rousseff disse que não concordava com posições assumidas pelo governo do ex-presidente Lula. Dilma condenou a decisão de se abster de votar na ONU uma punição ao governo do Irã e disse que era radicalmente contra o apedrejamento da iraniana Sakineh, acusada de adultério.
“A presidente Dilma, já ainda presidente eleita em dezembro, externou manifestou bem em uma entrevista ao ‘Washington Post’ de que a aventura que Lula fez no Irã foi um erro e de que nós temos de chamar a atenção da falta de direitos humanos no Irã, especialmente apedrejamento daquela senhora”, apontou o professor de ciências políticas David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).
O governo Dilma fez questão de se manifestar sobre os conflitos nos países árabes. Em nota, o Itamaraty cobrou o respeito aos direitos humanos e a implementação da proposta de criação de zonas livres de armas nucleares em regiões como o Oriente Médio.
Para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, não há mudança. Ela diz que a diferença é apenas de estilo entre os dois presidentes. “Eu considero que há uma ênfase diferenciada no tom da presidenta Dilma, porque ela assume o protagonismo e o discurso dos direitos humanos nos seus pronunciamentos, seja ao Congresso nacional seja ao mundo nos diferentes discursos que ela tem feito. Mas é uma ênfase, porque as iniciativas partem do ponto de vista de uma coerência entre esses governos”, observa a ministra Maria do Rosário.
Barack Obama passa o sábado (19) em Brasília e o domingo no Rio de Janeiro. Depois de um certo esfriamento nas relações entre os dois países, vai ser, sem dúvida, uma ótima oportunidade para reconstituir uma agenda de cooperação bilateral.