A terra voltou a tremer exatamente nos locais mais afetados pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11 de março. O terremoto de 6.5 de magnitude atingiu o nordeste do Japão. A região entrou outra vez em alerta por causa de um tsunami, apesar de onda prevista ser de apenas meio metro. Poucas horas depois, o alerta foi retirado, mas as autoridades avisaram aos moradores do litoral para ficarem prontos e abandonar suas casas a qualquer momento, porque choques secundários como o de hoje podem voltar a acontecer.
Na usina de Fukushima, os técnicos tentam retirar um metro e meio de água altamente contaminada com radioatividade de dentro dos prédios. Essa água segue vazando para o mar, contaminando a costa perto da usina. O porta-voz do governo, Yukio Edano, disse que essa água pode ter entrado em contato com varetas de combustível de nuclear que se fundiram parcialmente.
Em Tóquio, refugiados da região de Fukushima estão abrigados no centro de convenções chamado “Big Sight”, que costuma ser a maior vitrine da tecnologia japonesa, com exposições de robôs e outros equipamentos. Impedidos de voltar para casa por causa do perigo da radiação, eles reclamam.
“O terremoto foi obviamente algo além da nossa imaginação, mas eles sempre nos disseram que escolheram cuidadosamente a localização da usina para suportar tremores”, disse um homem. “Eles dizem que foi um desastre natural, mas os preparativos não foram sérios o suficiente”, completou outro homem.
A cada dia os japoneses estão mais críticos em relação às responsabilidades sobre esse incidente. Para muitos, não foi culpa apenas da natureza. Um especialista de terremotos disse que há dois anos avisou à companhia de energia de Tóquio, que administra Fukushima, sobre a possibilidade de um tsunami, mas a empresa não teria tomado providencias. A companhia não quis se manifestar sobre a acusação.