O primeiro-ministro demissionário de Portugal, José Sócrates, comunicou ontem a decisão de pedir ajuda financeira à União Europeia.
Logo em seguida, a Comissão Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) informaram que estão prontos para socorrer o país.
Portugal se tornou o terceiro país do euro a recorrer a uma ajuda de seus parceiros.
No ano passado, a Grécia recebeu € 110 bilhões e a Irlanda, € 85 bilhões.
A chamada crise da dívida europeia foi uma consequência da crise econômica de 2008. Para proteger a economia, os governos aumentaram suas despesas.
Aqueles que já tinham gastos públicos elevados viram a dívida estourar, junto com as taxas de juros. Essa bola de neve levou os países periféricos a atingir deficits públicos recordes, perdendo a capacidade de pagar a dívida.
No pronunciamento de menos de cinco minutos na TV, Sócrates não mencionou o valor do resgate. Analistas do mercado financeiro especulavam que poderá chegar a € 80 bilhões (equivalentes a R$ 184 bilhões).
"É o momento para assumir as responsabilidades. É em nome do interesse nacional que digo aos portugueses que é preciso dar este passo", afirmou Sócrates.
Resistente a um pedido de socorro externo desde o ano passado, Sócrates renunciou em 23 de março ao ver seu plano de ajuste fiscal ser derrotado no Parlamento. As novas eleições foram convocadas para 5 de junho.
Depois do pedido de demissão do primeiro-ministro, o cenário financeiro de Portugal se deteriorou. As grandes agências de classificação de risco rebaixaram a nota do país e os juros dos títulos da dívida bateram sucessivos recordes.
"A rejeição do PEC [pacote fiscal] foi o sinal mais errado que o país podia ter dado".
O argumento dele era de que a ajuda externa estará condicionada ao país cumprir duras exigências de ajuste econômico.
O governo português tem altas dívidas a pagar já neste mês. Em 15 de abril, vencem € 4,2 bilhões da dívida pública e em junho há um vencimento de € 4,9 bilhões.
O país tentou lançar novos títulos de curtíssimo prazo para honrar esses compromissos financeiros, mas os juros exigidos pelos investidores para aceitar o risco não são sustentáveis.
Ontem, foi feito um leilão com juros recordes de 5,11% em papéis que vencem em seis meses.