Dr. Daniel Paulino Júnior, que falou sobre sua especialidade, a Cardiologia AnimalAs especialidades médicas vêm se aperfeiçoando cada vez mais, no campo da Medicina Veterinária. A conseqüência disso é que o entendimento e diagnóstico de algumas doenças passam a ser de forma mais simples.
Com o objetivo de alertar sobre determinados temas, e esclarecer as perguntas mais freqüentes de proprietários de animais, a Tribuna de Ituverava inicia série sobre especialidades médicas animais.
Nesta semana, o professor da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), dr. Daniel Paulino Júnior falou sobre Cardiologia Animal. Ele é formado pela Unimar, com residência em Clínica Médica de Pequenos Animais, mestrado e doutorado em Clínica Médica – Cardiologia, pela Unesp de Jaboticabal.
Como o tema é bastante complexo, as perguntas foram elaboradas com a colaboração da coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Fafram, Elzylene Léga:
Pergunta – Quais as espécies que mais apresentam problemas cardiovasculares?
Daniel Paulino Junior – As espécies que mais apresentam problemas cardiovasculares são os cães, gatos e cavalos e, com pouca freqüência, os bovinos, caprinos e ovinos. Normalmente, os problemas aparecem em animais já adultos e em mais velhos. Porém, existem também, com menor constância, em filhotes.
Pergunta – Quais as doenças mais freqüentes?
Paulino Junior – Nos cães, as doenças cardiovasculares mais freqüentes são problemas valvulares, onde, inicialmente, não ocorre o comprometimento do músculo cardíaco. Já nos gatos, o maior problema é quando o mesmo músculo se torna muito forte e grande, não conseguindo relaxar direito.
Pergunta – Existe tratamento ou controle para estas doenças?
Paulino Júnior – Infelizmente, a grande maioria das doenças cardiovasculares, na Medicina Veterinária, não tem cura. O tratamento que é feito serve para dar melhor qualidade de vida ao “paciente”, mas não dá para curá-lo. Por isso, há necessidade de um acompanhamento constante de um profissional da área, pois o tratamento não pode ser interrompido ou alterado sem o conhecimento do veterinário cardiologista.
Pergunta – Como o proprietário pode perceber que o seu animal está com alguma doença cardiovascular?
Paulino Júnior – Os animais demonstram de algumas maneiras quando estão apresentando problemas cardiovasculares. Os sinais mais freqüentes são o cansaço fácil, tosse seca, dificuldade em respirar, mucosas de cor azulada (língua, por exemplo), desmaios, aumento de líquido na barriga e nos membros posteriores e até emagrecimento.
Não é necessário o surgimento de todos os sinais para se obter um diagnóstico, até porque nas fases iniciais que os animais já estão doentes, tais sintomas não aparecem facilmente.
Vale apena reforçar a importância de sempre levar seu animal ao veterinário, pois podem ser diagnosticada algumas doenças antes do aparecimento dos sinais clínicos.
Pergunta – Como prevenir as doenças cardiovasculares nos animais domésticos?
Paulino Júnior – Infelizmente, não há como prevenir o aparecimento e nem a progressão de tais doenças. Algumas têm fatores que passam de pais para filhos ou netos. Então, evitar a procriação destes animais é o mais indicado.
Pergunta – Fale sobre a ocorrência de hipertensão, obesidade e infarto em animais
Paulino Júnior – A hipertensão arterial, assim como nos humanos, é uma doença silenciosa e que acontece principalmente nos cães e gatos. A diferença é que nos homens pode acontecer de causa primária e nos animais freqüentemente está associada a alguma outra doença, como por exemplo, problemas renais ou endócrinos, que por conseqüência aumentam a pressão.
Nos animais obesos, o grande problema está na incapacidade respiratória e não em provocar cardiopatias. O coração pode ser um pouco mais exigido, mas não quer dizer que o todo animal obeso tem doença cardiovascular.
Outro mito a ser esclarecido é que raramente os animais têm infarto do oração, diferentemente do ser humano. É muito raro o animal ter um problema coronariano. O animal pode ter parada cardíaca, arritmias mais é muito difícil ter um infarto.
Animais de estimação trazem inúmeros benefícios ao homem
“Pai, vamos ter um cachorro?”. Se em algum momento da vida, seu filho lhe surpreendeu com esta pergunta, saiba que um animal de estimação traz inúmeros benefícios ao ser humano. Cachorros, gatos, passarinhos, peixes, ratos e até ursos são figuras constantes no universo dos pequenos. Estão no abajur do quarto, no border do papel de parede. São heróis em filmes e em livros infantis. Essa relação é fomentada, criada, incentivada porque, acima de tudo, traz bem-estar.
Estudos mostram que o contato com animais ativa áreas do cérebro relacionadas com as emoções. Não é por outro motivo senão a sensação de bem-estar, físico e mental, que terapeutas lançaram mão da terapia com animais para tratar crianças hospitalizadas ou com deficiências mentais. Uma grande virtude exercitada é, sem dúvida, o companheirismo, pois o animal provoca diversos estímulos na criança.
Nas idades mais tenras, é um grande incentivador do cérebro. O bebê exercita a coordenação motora fina ao ter de controlar sua força para acariciar um cachorro, um gato, um coelho. Treina a marcha ao engatinhar ou tentar andar (por vezes, correr) atrás do animal. Olfato, visão e audição são provocados pelos sons, cheiros e movimentos dos bichos.
Um estudo realizado pela Universidade Loyola, em Chicago, mostrou os benefícios dos animais nos hospitais. Os investigadores afirmam que acariciar um cachorro pode ajudar pacientes internados a reduzir pela metade a quantidade de analgésicos que precisam tomar.
Cientistas norte-americanos já haviam revelado também que ter um animal é um ótimo aliado contra o estresse. Os donos dos bichos que participaram do estudo tinham a freqüência cardíaca e a pressão arterial significativamente mais baixa se comparados com aqueles que não tinham um animal de estimação.
Mascote
O mascote – sobretudo o cachorro – faz ainda com que a criança exercite sua autoridade num mundo de “adultos-juízes”, que arbitram sobre a vida dela o tempo todo. "Com o animal, ela terá a oportunidade de ser o juiz, mandar e desmandar. Além disso, expõe para a criança o significado de preservação à vida e de limite à dor", diz a pediatra Sandra Oliveira Campos.