Vista aérea da cidade de Ituverava: história do município como disciplina nas escolasComo conhecer a si mesmo e a um povo, sem conhecer a sua história? Desde o início dos tempos, a humanidade busca pelo autoconhecimento, trabalhando em prol do resgate de suas raízes. E para isso, o homem iniciou uma procura interminável pelo seu passado.
Contudo, nem todos têm a sensibilidade de se preocupar com o resgate da história, que muitas vezes se perde por descuido ou é destruída por ignorância ou insensatez de homens públicos – que têm a obrigação de preservá-la – através do abandono, da guerra ou da ganância. Muitas vezes, a história é transformada em pó ou cinzas. É o caso de obras de artes, edifícios e livros, que são relíquias sem preços ou época.
Pensando nisso, a Câmara Municipal de Barretos teve uma brilhante idéia. As escolas de Educação Básica, Profissional e de Ensino Superior da rede municipal deverão ter uma disciplina intitulada “História de Barretos”. O projeto de Lei nº 77/2010, que foi aprovado pela Câmara, é de autoria do vereador Francisco de Paula Silva (PT).
A Câmara daquele município aprovou a inclusão da disciplina como matéria obrigatória nas escolas e instituições educacionais. “O povo que não preserva seu passado não saberá cuidar do seu futuro. Por esse fato, nossos governantes precisam contar à população mais jovem, os acontecimentos importantes que aqui ocorreram, sendo a rede municipal o lugar adequado para repassar os alunos os fatos históricos da cidade”, afirmou o vereador, em release oficial publicado no site da Câmara de Barretos.
Para se transformar em Lei – e passar a ser aplicada, depende apenas da sanção do prefeito Emanoel Carvalho (PTB). Se sancionado, o projeto fará com que os estudantes locais aprendam como surgiu, por exemplo, a tradicional Festa do Peão de Boiadeiro, criada em 1955, ou qual a importância do Hospital de Câncer, referência no tratamento da doença no país.
A idéia é que uma aula semanal seja ministrada o tema, que pode ser obrigatório a partir do próximo ano letivo.
Enquete
A Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar ao ituveravense a opinião sobre a nova disciplina e sobre sua aplicabilidade na cidade. A maioria aprova a medida. “Acho muito importante, pois o aluno terá conhecimentos sobre o município vivenciando, no dia-a-dia, coisas familiares para ele. Decorrente disso, ele poderá assimilar melhor as disciplina”, afirma a diretora da Escola Estadual “Capitão Antônio Justino Falleiros”, Irene Ferreira Meneguini de Oliveira.
Também aprova a medida a professora de Ensino Fundamental I, Eliane Maria de Souza e Silva. “Acredito que é uma boa lei, pois na maioria das vezes, a história da cidade é trabalhada quando a data comemorativa da sua fundação se aproxima. Havendo uma disciplina especifica pode-se aprofundar mais com alunos. Claro que vários aspectos precisam ser debatidos e considerados antes de da disciplina se tronar obrigatória”, defende Eliane Maria.
Veja, na íntegra as respostas:
História de Ituverava
Muito já se falou sobre a história de Ituverava, abordando todos os seus aspectos. É muito atraente, comovente e gratificante tomar conhecimento da saga de nossos antepassados, suas lutas, desejos e frustrações.
A história de Ituverava remonta ao bandeirantismo e, em seguida, ao fluxo de ocupação do centro-oeste brasileiro, onde foi estabelecido um posto de abastecimento para tropeiros e surgiu uma pequena comunidade de proprietários rurais.
No início de sua fundação, pelo Alferes João Alves de Figueiredo em 16 de julho de 1818, quando da construção da Capela do Carmo, a região fazia parte do “Velho Caminho de Goiás”. Aos 10 de março de 1885, foi elevada à categoria de município e deixou de ser o Distrito de Paz de Nossa Senhora do Carmo da Franca do Imperador, para ser Ituverava, em tupi, “Salto Brilhante”.
A partir das trilhas deixadas pelos bandeirantes, assentaram-se os trilhos de estradas de ferro e, em seguida as rodovias, com a expansão da cultura cafeeira. Atualmente, pouco resta de sua arquitetura inicial, contabilizando-se alguns casarios antigos, o museu e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, erguida pelos próprios escravos em 1820 e freqüentada à época pelos mesmos.
Hoje em dia, Ituverava trilhou um caminho de desenvolvimento, fortalecendo suas raízes na região da Alta Mogiana, não mais como o entreposto de tropas e viajantes, mas como uma cidade próspera e como seu nome diz: brilhante.
Com 38.699 habitantes, Ituverava localiza-se no quilômetro 410 da Rodovia Anhangüera, possui posição estratégica, a 100 km de Ribeirão Preto, grande centro econômico do Estado, e a 38 km da divida com o Estado de Minas Gerais.