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Protesto contra o aumento da criminalidade, organizado pela Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT), na capital Maceió
20/05/2011

EDIÇÃO 2.927 - ENQUETE


Índice de violência ainda é bastante elevado no Brasil

“A polícia precisa ser reforçada para acabar com a corrupção e a impunidade”, diz especialista

Embora tenha havido diminuição na taxa de homicídios no Brasil, o índice de violência permaneceu elevado, principalmente nas comunidades pobres. É o que aponta o “Informe 2011 da Anistia Internacional: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, divulgado no dia 12 de maio.

De acordo com o especialista em Brasil da organização, Patrick Wilcken, é preciso que haja reformas profundas no sistema de Justiça criminal. Para ele, é importante combater a corrupção na polícia, melhorar as condições de trabalho e qualificar os profissionais.

“A polícia precisa ser reforçada para acabar com a corrupção e a impunidade. As investigações devem ser completas, independentes e para todos os crimes, incluindo aqueles que envolvam má conduta policial”, afirmou Wilcken.

Em Ituverava – município com quase 40 mil habitantes –, a situação não poderia ser diferente. A cidade fica na região Nordeste do Estado de São Paulo, que é considerada “relativamente calma” pelo governo estadual. “Sabe-se, porém, que a cidade, assim como em toda região, tem experimentado uma escalada gradativa da violência. Sabemos também que algo deve ser feito para conter esta realidade”, afirmou o delegado do Município de Ituverava, Wilson dos Santos Pio.

O delegado enumerou, inclusive, algumas sugestões. “A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo deve tomar algumas providências, uma delas é que o governo deve equipar devidamente as polícias, para que elas cumpram devidamente seu papel frente à sociedade”, afirmou.

Ele diz ainda que a população deve também fazer sua parte. “Os moradores da comunidade devem continuar fazendo suas denúncias anônimas responsáveis, indicando meliantes e ajudando na solução de crimes. As pessoas devem também colaborar mais, deixando de criar situações propícias para os assaltantes, como deixar objetos de valor à mostra dentro de carros estacionados em ruas escuras, por exemplo”, concluiu.

Enquete

A Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar se a população faz sua parte, no combate à violência. Os doze entrevistados são categóricos ao afirmarem que sim e enumeram algumas de suas ações.
“Sempre deixo meu carro em locais seguros, nunca em ruas de pouco movimento ou escuras. Em casa, tenho trava de segurança nas janelas. No geral, evito lugares que oferecem riscos”, afirmou a secretária Cristiane Ferreira, 28 anos, à equipe de reportagem.
A secretária Ana Cecília Franco Francisco, 36 anos, disse que também toma suas precauções para evitar furtos e assaltos. “Nunca passo informações para desconhecidos. Fico atenta ao entrar e descer do carro e procuro não man-ter hábitos rotineiros”.
Veja, na íntegra as respostas:

Roubo em residências

O número de roubos e furtos a residências aumentou cerca de 30% no início do ano, principalmente nos meses de dezembro e janeiro, período de férias escolares, quando a família viaja.

De acordo com estudos, os assaltantes preferem as residências vazias – e para terem certeza disso – acionam campainhas, fazem ligações telefônicas e até percorrem ruas e quadras em volta da casa.

Para entrarem na residência, é muito comum se disfarçarem de entregadores ou prestadores de serviço de alguma empresa. Outra predileção é furtar eletroeletrônicos, armas e cheques.

De acordo com recomendações da empresa seguradora Allianz Seguros, ao viajar, a pessoa não deve comentar sobre sua ausência próximo a estranhos, e comunicar sempre os vizinhos de confiança – quando estiver fora, ligue para eles.

Atitudes mínimas como a suspensão de jornais e revistas e desligar a campainha ajudam muito. Na medida do possível, instale equipamentos eletrônicos de segurança, mas antes certifique-se de que a empresa é idônea.