O inverno ainda não começou, mas o frio já apareceu – e pela amostra, a estação mais fria deverá ser rigorosa, este ano. Nesta semana, as temperaturas em Ituverava chegaram a 15º C, na noite de segunda-feira, de acordo com os ter-mômetros da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).
Infelizmente, o frio não vem sozinho. Junto com as baixas temperaturas, doenças oportunistas podem surgir e afetar a saúde das pessoas. Alergias, resfriados, asmas e gripes são apenas algumas das doenças que se intensificam a partir de agora.
Portanto, os cuidados com a saúde devem ser redobrados. “Medidas simples colaboram para melhorar a qualidade de vida e fazem toda a diferença para prevenir problemas de saúde”, afirmou o pneumologista Ricardo Tardelli, que é coordenador da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava reuniu alguns profissionais das mais diversas áreas para falar sobre as baixas temperaturas e suas conseqüências para o organismo.
Chances de infarto aumentam em 30% com as baixas temperaturas
Uma pessoa com o “coração frio” corre grandes riscos, não só de não encontrar a felicidade, como descrevem os grandes clássicos da literatura, mas também de sofrer um infarto. No inverno, o perigo aumenta em 30%, principalmente quando a temperatura está abaixo dos 14 graus. As informações do secretário-geral eleito da Sociedade de Cardiologia do Estado, Augusto Bozza, diretor do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).
A relação entre o coração e as baixas temperaturas ocorre porque, quando os receptores nervosos da pele sentem o frio, estimulam a liberação de catecolaminas (substâncias que, dentre outros efeitos, contraem os vasos sangüíneos). Com isso, a pressão sangüínea aumenta, podendo levar a ruptura de placas de gordura no interior das artérias.
As pessoas que convivem com fatores de risco, como colesterol elevado, tabagismo e obesidade, devem evitar a variação súbita de temperatura, pois o choque térmico pode provocar, além do infarto, angina, arritmia e até acidente vascular cerebral (AVC).
“O frio prejudica principalmente aqueles que já têm alguma doença cardíaca, mas pode prejudicar também aqueles que não têm, ou que ainda não sabem que possuem alguma enfermidade no coração. No Brasil, nem todas as regiões registram baixas temperaturas durante o inverno, mas é bom ficar atento”, alerta o diretor do INC, Augusto Bozza.
Hipertensos e diabéticos correm riscos
As pessoas que sofrem de hipertensão e de diabetes correm mais riscos durante o inverno. Segundo Bozza, essas doenças atingem a circulação sangüínea e ficam mais intensas com a chegada do frio.
No caso dos diabéticos, os problemas atingem mais a circulação dos membros inferiores, que chega a ficar obstruída por causa do frio. “A perna, inclusive, começa a ficar roxa por causa da obstrução da circulação do sangue. Pode dar até gangrena”, disse.
O médico alertou também para aqueles que gostam de caminhar na praia. “Na época do inverno, o dia pode estar até com o sol, mas o vento sempre está frio. Por isso, ao caminhar na praia, a pessoa deve se agasalhar muito bem para se prevenir”, disse.
Além dos agasalhos, Bozza também orienta as pessoas a tomar chás e cafés à noite, quando o frio aumenta. Ele sugere, inclusive, uma taça de vinho. “Nas estações de esqui é muito comum beber uma taça de vinho ‘quente’ para afastar o frio. Aqui no Brasil, como estamos na época das festas juninas, um ‘quentão’ também pode aumentar o calor corporal. Mas de forma controlada, nada em excesso”, ressaltou o médico.