Veterinário escova dentes de cãoA professora Marly Cristina Wanderley explica que, entre as patologias mais freqüentes entre os animais, está a doença periodontal que ocorre como conseqüência do acúmulo de tártaro, que forma a partir de restos alimentares e minerais e bactérias acumulados na superfície dos dentes.
“O tártato adere firmemente formando cálculos duros e escuros e que provocam mau hálito. Cães e gatos são particularmente mais expostos a esse problema devido ao pH alcalino da sua boca, que favorece a deposição de carbonatos e fosfatos de cálcio provenientes da saliva”, observou.
A professora acrescenta que uma dieta inadequada agrava ainda mais o problema, que acomete cerca de 80% de cães e gatos, sendo os de raças menores os mais acometidos.
“O cálculo formado – marrom e fétido – é apenas a ‘ponta do iceberg’, pois pode causar sérios danos que resultam na disfunção de vários órgãos e diminuem a expectativa de vida destes animais”, disse.
“As bactérias presentes nestas placas produzem toxinas e enzimas que causam destruição dos tecidos adjacentes aos dentes, podendo causar retração da gengiva, amolecimento do dente e, por fim, a perda. É uma situação feia, mal cheirosa e, pior de tudo, invisível. Como conseqüência, as bactérias e suas toxinas na boca ‘caem’ na circulação sanguínea e se instalam em vários órgãos e tecidos, como coração, fígado, rins, cérebro, articulações, espalhando focos de infecção para todo o corpo”, observa.
Segundo ela, um dos problemas mais sérios que os veterinários enfrentam no dia-a-dia é a insuficiência renal crônica – afecção que causa sofrimento ao animal portador e muito desgaste emocional e tristeza do proprietário, que o vê caminhar inexoravelmente para o fim.
“O pior é saber que, não raro, este problema é resultante de doença periodontal e que poderia ser evitada com higienização, alimentação correta e cuidados dentários como a tartarectomia (remoção do tártaro)”, completa a médica veterinária.
Cáries e fraturas maxilares também podem ser problemas em animais
Marli também fala sobre as cáries, que são muito menos comuns entre cães e gatos. Isso se explica pelo pH alcalino da saliva e menor uso de carboidratos fermentáveis em suas dietas, em comparação com a dieta humana.
“Fraturas em dentes e no maxilar também são verificadas na rotina clínica veterinária, em conseqüência de brigas com outros animais, acidentes ou mesmo quando comem ossos de bovinos. As fraturas são mais comuns nos dentes caninos e podem expôr a polpa dentária, levando o animal a sentir fortes dores, o que requer atendimento veterinário odontológico imediato. Mesmo fraturas pequenas podem levar a processos inflamatórios. Descargas nasais e oculares, rinites crônicas, fístulas e abscessos podem estar associados às lesões da polpa dentária”, disse.
Entre as doenças que acometem a boca, também podem ser citadas as massas tumorais, que muitas vezes só são percebidas com uma inspeção mais rigorosa da cavidade bucal. Segundo Marli, quanto mais precocemente forem diagnosticadas e tratadas, melhor o prognóstico.
“Se o mau hálito apareceu, o dente caiu e a situação ficou feia, não se desespere, pois Ituverava já conta com importantes unidades de tratamento, tanto em clínicas particulares quanto na Fafram, onde os médicos veterinários são capacitados e podem atender o animal com muita eficiência”, observa.
Marli finaliza dando uma importante dica ao proprietário. “Nunca se esqueça: o mais importante é a prevenção, que começa com os conhecimentos a respeito da melhor maneira de higienizar a boca de seus animais, aliados ao fornecimento de uma alimentação adequada”, concluiu.