Os empresários de Franca consideram insuficientes as novas medidas protecionistas anunciadas pelo governo brasileiro no setor de calçados. A implementação de um selo de origem – que em tese evitaria fraudes nos preços e na identificação dos países exportadores – não soluciona o problema, segundo os entrevistados pela EPTV.
As medidas, repercutidas durante a Francal, em São Paulo, surgem como resposta à triangulação implementada pelos chineses para escapar da sobretaxação de US$ 13,85 aplicada a calçados produzidos na China. As medidas antidumping, que viriam para acabar com a concorrência do calçado chinês no mercado brasileiro – desvantagem refletida em um calçado 40% mais barato, não foram suficientes para a escalada de crescimento da indústria oriental. A China conseguiu burlar a taxação emitindo seu calçado por países como o Vietnam.
Para o empresário José Rosa Jacometti, o selo é válido, mas insuficiente, já que o Brasil também importa calçados de outros países do eixo oriental como Indonésia e Malásia. “O pessoal está muito preocupado com o calçado chinês. Tem a China, o Paquistão, a Indonésia, o Vietnam, tudo que está produzindo calçado e está mandando pra cá”, afirma e destaca a dificuldade de se fiscalizar os produtos no exterior.
A solução, para o empresário Paulo Roberto Nunes Coelho, é criar uma sobretaxa única para diferentes países. “O ideal seria a sobretaxa para todo e qualquer produto que entre no Brasil. Aí sim conseguiríamos inibir a entrada de calçados de países que venham a atrapalhar nossa cadeia produtiva”, analisa.
Exportações em queda
O clima de insatisfação apresentado sobre as medidas protecionistas da indústria brasileira é ligado à queda das exportações e ao aumento das importações do calçado, em um momento de taxa cambial desfavorável. Com o dólar cotado na faixa de R$ 1,55, o produto brasileiro fica mais caro lá fora e dificulta as negociações.
De acordo com dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), o número de pares vendidos mensalmente para o exterior caiu em média 30% no primeiro semestre de 2011, em comparação ao mesmo período do ano passado. As importações também estão em alta desde o início do ano. Em maio, o Brasil comprou 21,1% mais sapatos do que no mesmo mês de 2010. Em fevereiro, a alta foi de 40%.
Estatísticas do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) divulgadas em janeiro apontam queda de 14,66% nas exportações dos produtos de Franca em comparação ao ano passado. Por conta disso, somente no mês analisado, a cidade deixou de vender aproximadamente US$ 1 milhão - uma queda de 18% no faturamento.
Durante a Francal, o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, disse que é possível aumentar a competividade do produto nacional, mesmo diante do dólar desfavorável. O incremento na produtividade das empresas é um passo fundamental. “Passa pela nova política industrial prometida pelo Governo Federal, que implica em desoneração da folha de pagamento e da tributação”, disse.
Fonte: EPTV.com