A Polícia Civil investiga também a morte suspeita de um residente. Proprietários e um funcionário foram presos
Cada vez mais o consumo de drogas tem se tornado um problema na sociedade. A cada novo dia, mais pessoas se perdem no mundo das drogas. Para elas e para os seus familiares, a esperança de se livrar do vício pode ser encontrada em clínicas de reabilitação, que trabalham com o intuito de livrar os dependentes do vício. Bom, ao menos, era isso o que deveria acontecer.
Na última quinta-feira, 28 de julho, a Polícia Civil de Ituverava fechou uma clínica para tratamento de dependentes químicos, denunciada por maus tratos, a Recanto de Luz, instalada no Parque dos Esportes (às margens do Rio do Carmo). Vinte e oito pacientes estavam na clínica.
Os proprietários da clínica Uanderson Claiton Gonçalves da Silva e Lizandra Adrien Cunha Franco, e o funcionário Diogo Alves Chagas, foram presos acusados pelos crimes de cárcere privado e tortura. A denúncia foi feita por um dos internos, que fugiu e procurou a polícia.
No local, foram encontrados bastões de madeira e algemas, que seriam usados para castigar os internos. Remédios de uso controlado foram apreendidos porque não tinham receita.
De acordo com a delegada Christina Bueno de Oliveira, responsável pelo caso, a Recanto de Luz nem mesmo possui alvará de localização. “A clínica não tinha condições para funcionar e dentro da casa havia manchas de sangue na parede, em lençóis e em colchões. Sem dúvida era um local totalmente inadequado em diversos aspectos”, ressalta a delegada.
“Essa situação serve como alerta para a população, para que tome muito cuidado, pois pode se internar um familiar pensando que será bem tratado, quando na verdade pode colocá-lo em verdadeiras prisões, e fazê-los sofrer, vítimas de violência”, alerta a Dra. Christina.
Ainda de acordo com a delegada, os pacientes trocavam de clínicas para se recuperarem dos hematomas. “Eles eram levados para outras clínicas, a fim de que lesões fossem curadas e depois retornavam”, disse Dra. Christina, que vai investigar outras casas de recuperação.
O advogado dos proprietários da clínica Emílio de Menezes, em entrevista à Tribuna de Ituverava, informou que vai esperar o indiciamento da polícia para fazer a defesa dos clientes. “Já pedimos o pedido de liberdade provisória para os acusados, e afirmo que será provado que as lesões nos internos não foram causadas pelos proprietários e nem pelo funcionário da clínica de reabilitação”, afirmou o advogado em entrevista à Tribuna de Ituverava.
Denúncias
Segundo um dos internos, os funcionários da clínica chegaram a torturá-lo, amarrando fios em seus pés e molhando-os, causando assim um forte choque. Ele foi atendido na Santa Casa de Misericórdia, porém seus dedos do pé tiveram que ser amputados.
Outro interno disse que a família não sabia o que acontecia na clínica. "Eles mentiam para os meus familiares. Diziam que eu estava bem, seguro, mas escondiam que eu apanhava, e algumas vezes ficava algemado e todo machucado", disse o rapaz, que pagava R$ 450 por mês. As famílias dos 28 internos, já foram avisadas para buscá-los.
Polícia investiga morte suspeita na Clínica
A Polícia Civil investiga também a morte suspeita de um residente. De acordo com inquérito instaurado pela Delegacia do Município, o interno, foi encontrado morto dentro da clínica.
“Estamos investigando se a morte foi causada por possíveis maus tratos ou por causa natural. Foram recolhidas víceras para exames toxicológicos, mais o laudo pericial ainda não ficou pronto”, afirmou o delegado do Município, Wilson dos Santos Pio.