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Criança escreve fazendo uso da letra cursiva
23/08/2011

EUA BUSCAM EXTINGUIR ENSINO DA LETRA CURSIVA


Defensores da medida afirmam que crianças devem aprender a digitar mais rápido e deixar escrita manuscrita de lado

Em um mundo em que avanços tecnológicos surgem a cada dia, novas transformações aparecem cada vez com mais freqüência. Tudo acontece de forma mais rápida e o cotidiano das pessoas está mais agitado, de modo que o tempo parece curto para tantos afazeres.

Uma transformação evidente do século XXI é que as pessoas vivem num mundo cada vez mais conectado, escrever à mão tem se tornado um exercício raro. No trabalho, tudo é executado com o auxílio de computadores. A comunicação pessoal – bilhetes e recados, por exemplo – deram espaço ao SMS (mensagens instantâneas de celulares) e mídias sociais. Além do mais usual dos meios de comunicação da atualidade: o e-mail, que praticamente substituiu a tradicional carta.

Essas situações causam profunda transformação no comportamento das pessoas e conseqüentemente na sociedade como um todo. O uso de computadores e celulares chegou num ponto em que até as crianças são influenciadas. Hoje, desde pequenas já sabem operar perfeitamente em computadores e já têm seu próprio celular. Com isso, poucas ainda brincam com outras crianças em parques ou até mesmo ruas, como antigamente, e assim crescem cada vez mais precocemente.

As mudanças trazidas pelos avanços tecnológicos também chegaram à Educação. Tanto que nos Estados Unidos, a tradicional forma de escrever com a letra cursiva (de mão) está sendo considerada ultrapassada e o seu ensino deve ser abandonado em mais de 40 Estados norte-americanos.

O primeiro deles a suspender, por lei, o ensino da letra cursiva nas escolas, foi o estado de Indiana. Os defensores da mudança argumentam que, atualmente, as crianças não necessitam e quase não se utilizam de caneta e papel para escrever e por isso a alfabetização deve se focar no ensino da letra bastão (letra de forma) e nos métodos de digitação.

A medida gerou polêmica nos Estados Unidos. Os defensores da nova lei acreditam que as crianças deveriam aprender a digitar mais rapidamente, pois toda a comunicação do mundo tem sido feita de maneira digital, em celulares e computadores, e a escrita manuscrita deve ser deixada de lado, por ser considerada ultrapassada.


Enquete

Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas saber a opinião das pessoas sobre o fim da letra cursiva. Os doze entrevistados foram unânimes: são contra a medida.

“Não considero uma iniciativa interessante porque vai fazer com que as pessoas deixem de escrever e passem apenas a digitar. A escrita manuscrita é, e sempre foi muito importante, portanto mesmo com as transformações tecnológicas, não pode se perder esta prática”, afirma o universitário Yuri Hamirani Gonçalves.

“Não concordo com a medida, pois a escrita cursiva é a identidade de cada pessoa. Ninguém consegue fazer igual, portanto se ela se extinguir, parte da identidade das pessoas também se perderá”, disse a estudante Adriana Fortunato de Almeida.

Especialistas divergem sobre medida adotada
A medida adotada tem gerado muita polêmica no mundo todo. Enquanto alguns estudiosos defendem que é um rumo que todas as escolas devem tomar como forma de acompanhar os avanços tecnológicos, outros afirmam que, com isso, a escrita manuscrita será extinta da sociedade e, assim, em curto prazo haverá maior dependência por parte das pessoas em relação aos computadores.

Para a psicopedagoga Anete Hecht, diretora pedagógica do Colégio I.L.Peretz, em São Paulo, o ensino da letra cursiva não pode ser extinto. “Os métodos devem ser somados e não reduzidos. A alfabetização acontece no primeiro momento com a letra bastão (de forma), depois a criança passa para a letra cursiva. Isso é importante porque na letra de mão, a criança desenvolve traços da sua identidade e personalidade”, afirma.

Já para Maria Jose Nóbrega, filóloga e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, a substituição da escrita cursiva pela digital se apresenta como um processo natural e não é necessariamente um problema. “A escrita digital predomina na maioria dos trabalhos da esfera profissional. Por isso, o investimento no ensino da letra cursiva para essa função está cada vez mais em desuso", defende.

A portabilidade dos equipamentos é outro fator que desestimula a escrita de mão. No entanto, como os impactos das novas tecnologias sobre a educação e o aprendizado ainda são pouco conhecidos, a especialista reforça que os novos e os antigos métodos tendem a ser usados de forma conjunta.

“Ainda não podemos excluir o ensino da letra cursiva, porque no Brasil nós não temos a universalização do acesso ao computador", completa.

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