O ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, anunciou nesta quarta-feira (24) a criação de um fundo anual de US$ 100 bilhões (R$ 160 bilhões) para resistir à tendência de apreciação do iene por meio da iniciativa privada.
Em entrevista coletiva, o titular das Finanças convidou as empresas japonesas a trocar ienes por moedas estrangeiras e encorajou a realização de fusões e aquisições no exterior, com a ajuda deste fundo, para aproveitar a força do iene.
Noda avisou que o governo vai monitorar de perto os movimentos especulativos e controlar as operações com divisas, e não descartou a intervenção do Executivo, que, se necessário, "entrará em ação" para desvalorizar o iene, depois que, na sexta-feira (19), a cotação da moeda japonesa atingiu seu recorde histórico frente ao dólar em Wall Street.
No fechamento do mercado americano, o dólar chegou a ser negociado a 75,95 ienes, recorde desde a 2ª Guerra Mundial. Nesta quarta, em Tóquio, a moeda americana registrou cotações de até 76 ienes na abertura da bolsa japonesa.
O Japão já interveio no último dia 4 no mercado de divisas para frear a alta do iene, com um desembolso recorde que superou os 4 trilhões de ienes (R$ 83,5 bilhões).
Moody´s rebaixa nota do Japão
A agência de classificação de risco Moody’s reduziu, nesta quarta-feira (horário local), a nota da dívida soberana do Japão, de Aa2 para Aa3, com perspectiva estável, citando como justificativa o grande déficit orçamentário do país e as dívidas acumuladas pelo governo japonês desde a recessão mundial em 2009. Com isso, a Moody´s afirmou ter concluído a revisão do rating do Japão, iniciada em 31 de maio, quando foi colocado em revisão para rebaixamento.
Na classificação da Moody´s, Aa3 é o quarto degrau, ainda dentro da categoria dos países com grau de investimento, com qualidade alta e baixo risco de não pagamento.
"Ao longo dos últimos cinco anos, as mudanças frequentes na administração impediram que o governo implementasse estratégias econômicas e fiscais de longo prazo e políticas eficazes e duráveis", disse a agência.
"O terremoto e o tsunami de 11 de março e o subsequente desastre na usina nuclear Daiichi, em Fukushima, atrasaram a recuperação da recessão mundial de 2009 e agravaram as condições deflacionárias. As perspectivas para o crescimento econômico são fracas" e dificultam a capacidade do Japão para atingir as metas de redução nos déficits e implementar reformas tributárias e sociais, acrescentou.
A Moody´s afirmou também que, segundo as estimativas oficiais, os déficits orçamentários anuais do Japão até 2015 devem ser iguais ou superiores a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), superando as taxas de crescimento nominal da economia "e contribuindo para o aumento inexorável na relação dívida/PIB".
Entenda a avaliação de risco de investimento
A avaliação de risco de investimento é um sistema de nota desenvolvido por agências de análise de riscos para alertar os investidores de todo o mundo sobre os perigos do mercado em que eles escolhem para aplicar seu dinheiro.
A partir da nota de risco recebida por determinado país, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido por causa da instabilidade do país em questão. A classificação da Moody’s tem 21 categorias.