ESPORTE

Zagueiro Paulo André, do Corinthians, se refresca durante treino do atual líder do Brasileiro
09/09/2011

BAIXA UMIDADE DO AR PROVOCA TRANSTORNOS E MUDA ROTINA DO FUTEBOL




O Brasil está em estado de alerta. Com níveis abaixo dos 20% da umidade relativa do ar, índice mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), pessoas sofrem com problemas respiratórios. E naquele que é chamado de país do futebol, a rotina tem sido dramática para os jogadores neste final de inverno. Calor e ar seco, fatores que geram dores de cabeça, irritações na garganta, nariz, olhos e prejudiciais ao desempenho em campo.

Nesta sexta-feira, Brasília, por exemplo, sofreu com queimadas. O Aeroporto Internacional operou com ajuda de aparelhos e parte das crianças foram liberadas das aulas. A Defesa Civil, inclusive, recomendou que as pessoas não pratiquem atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h. Situação que precisa e está sendo encarada nos clubes de futebol, com treinos e jogos que não podem parar.

"Isto aqui é um deserto, nunca vi algo parecido em minha vida. Não consigo respirar. Nos treinos (Estádio Serejão, em Taguatinga-DF), bebo tanta água para hidratar que a barriga parece uma caixa da água, mas a garganta fica seca, irritada", contou o atacante Tuta, que aos 37 anos defende o Brasiliense pela Série C do Campeonato Brasileiro.

O jogador, com passagem por Fluminense, Grêmio, Palmeiras e outros clubes, sofre de renite e não pode recorrer ao ar-condicionado. No time candango há três meses, ainda não viu chuva na região da Capital Federal. O centroavante luta para tentar ajudar o Brasiliense, que neste domingo recebe o Marília, às 16h. "Estou tentando me adaptar, me cuido. Mas também nos aproveitamos em campo. Imagina quem vem jogar com a gente? Morre no segundo tempo", completou.

O Estado de São Paulo é um dos que sofrem com a baixa umidade. O Corinthians, líder da elite do Brasileiro, não escapa da realidade. Mesmo com o CT mais afastado do centro da cidade, às margens da Rodovia Ayrton Senna, a ordem é consumir muita água.

As caixas com gelo e copos de água mineral que antes sobravam, agora terminam antes do final do treino alvinegro. "Com este tempo muito seco, o jogador perde líquido. Além da água, usamos isotônico e maltodextrina (suplemento em pó, um carboidrato que é transformado em energia no corpo). Mesmo assim, não há atleta que não sofra com o ressecamento das vias aéreas, como nariz e garganta. E temos que ficar atentos para que não haja lesões musculares", afirmou o fisiologista do Corinthians, Fedato Filho.

Segundo ele, o consumo ideal de água é de um a dois litros por dia. Para aletas, que perdem cerca de quatro litros de líquido por jogo em média, os jogadores são orientados a tomar entre três e quatro litros.

"A perda de líquido afeta todo o organismo. Desidratado, o atleta sofre fadiga rápida, o sangue fica viscoso, a frequência cardíaca e a pressão aumentam e o rendimento cai. Por isso monitoramos com mais atenção nestes últimos dias com a baixa umidade", completou o fisiologista, ao brincar. "Desculpa, mas até minha garganta está ruim".

Mudança de hábito

Localizada a 453 quilômetros da capital paulista, a cidade de Mirassol tem sofrido com a umidade, assim como a variação climática, que tem atingido 35 graus durante o dia e 18 à noite.

O time do Interior, que chegou a liderar o Campeonato Paulista deste ano, conquistou uma vaga na Série D do Brasileiro. Atualmente, é o primeiro de seu grupo, que tem equipes de cidades que sofrem também com a umidade, como Oeste (de Itápolis-SP) e CENE (Mato Grosso do Sul).

"Estamos treinando uma hora mais tarde (16h30), com trabalhos curtos, de alta intensidade e muita hidratação nos intervalos. Mirassol já é quente, seca. Agora estamos tendo que nos adaptar para que não prejudique o desempenho físico e, consequentemente, o técnico numa competição tão dura como a Série D", disse o técnico Ivan Baitello.

A previsão para os próximos dias é de que uma frente fria, com chuvas vindas do Sul do País, amenize o sofrimento, dentro e fora de campo. "Isso ajudaria também nas grandes cidades em relação à poluição, que também afeta a todos. No futebol, não podemos esperar. É minimizar os efeitos. A torcida exige resultados", finalizou o fisiologista corintiano.
Fonte: Terra