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Cidade de Ribeirão Preto, onde uma criança morreu por complicações da catapora
03/10/2011

CRIANÇA DE DOIS ANOS MORRE POR COMPLICAÇÃO PROVOCADA POR CATAPORA




Uma menina de 2 anos morreu de infecção secundária por bactéria provocada por catapora, na madrugada de sábado,24 de setembro, em Ribeirão Preto.

Esse é o primeiro caso de morte causada pela doença, registrado este ano, segundo a Vigilância Epidemiológica do município. O laudo da morte foi entregue à família na terça-feira, onde foi confirmada a suspeita.

A família da menina alega que houve falha no atendimento médico.

Segundo o pai da vítima, Giomario Mendes Carneiro, ele levou a filha, na terça-feira (20), à Santa Casa com febre alta e manchas na pele.

A catapora foi diagnosticada e a criança foi medicada com antitérmico e, em seguida, liberada.

Na quarta-feira (21), o quadro se agravou e os pais retornaram ao hospital, onde, desta vez, o médico receitou dois antialérgicos e liberou a criança novamente.

De acordo com Carneiro, na sexta-feira (23), ela acordou com o corpo inchado e, por volta das 13h30, foi levada novamente à Santa Casa.

“O médico nem encostou na menina direito.

Eu pedi para ver se ela estava realmente inchada e foi quando pesaram e viram que havia engordado 400 gramas.

Questionei como isso era possível, pois minha filha estava sem comer há três dias”, afirmou.

O pai da criança disse que diante desse quadro não levaria a criança novamente para casa.

“Eles internaram minha filha às 15h.

Eu reclamei da demora para realizar os procedimentos (colocar soro e fazer exame de sangue), ao invés de providenciarem isso logo ficaram contestando minha indignação.

O exame de sangue só foi feito por volta das 19h e o resultado só saiu quando ela já estava sendo transferida”.

Segundo o pai, a menina começou piorar, às 23h30, quando colocaram o oxigênio e a transferiram para o Centro de Terapia Intensiva (CTI)do hospital Santa Lydia.

“Por volta da 0h30,o médico veio nos falar que minha filha tinha tido uma parada cardiorrespiratória, que precisou ser reanimada e seu estado de saúde era gravíssimo. Ele nos preparou para o pior”, declarou. A menina faleceu às 4h.

Em nota, a assessoria de imprensa da Santa Casa afirmou que tomou conhecimento do caso por meio da equipe do EP Ribeirão e, para evitar qualquer conclusão precipitada, abrirá sindicância interna para apurar as informações.

Justiça

A família da criança tem intenção de entrar na Justiça contra o hospital, pois acreditam que houve demora nos procedimentos.

“Vou solicitar todos os prontuários da minha filha à Santa Casa, pegar o laudo médico e ir atrás de um advogado.

Nada trará ela de volta, mas pelo menos será feita justiça”, disse o pai.

Casos

De acordo com a Vigilância Epidemiológica do município, em 2011, de janeiro até o dia 24 deste mês, foram registrados 339 casos de catapora.

Em 2010, foram 3.493 pessoas contaminadas, sendo que, no mesmo período deste ano, havia 2.311 notificações.

Para o médico epidemiologista da Secretaria Municipal da Saúde Cláudio Souza de Paula, mortes provocadas por catapora são incomuns.

“A ocorrência de morte devido à infecção secundária por bactéria que sobrepõe as lesões da varicela é rara”.

Segundo o médico, Ribeirão Preto registrou vários surtos da doença este ano – quando há dois ou mais casos no mesmo ambiente - em escolas, e em todos eles foram feitos bloqueios. Em situações desse tipo, a vacina é oferecida pela rede pública.

Os surtos da doença são mais comuns na primavera, quando as temperaturas começam a se elevar.

Vacina

A vacina contra catapora é vendida, em média, por R$ 160.

Segundo o vacinologista Eder Minari, a Associação Brasileira de Imunizações (SBIM) determina que a imunização seja feita em duas doses, sendo a primeira com 1 ano de idade e a segunda, entre 4 e 6 anos, mas, de acordo com o especialista, é indicado que seja aplicada antes.

“Normalmente, a eficiência da proteção na primeira dose fica entre 60% e 70%, no entanto, com o tempo, existe o risco da criança ter a doença.

Se possível, é aconselhável tomar a segunda dose, de um a dois anos após a primeira”, afirma.