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Aulas de orçamento doméstico, crédito e investimentos visam acabar com o analfabetismo financeiro no país
21/10/2011

EDUCAÇÃO DESAFIA O CONSUMISMO INFANTIL




Nesta semana, uma reportagem publicada pela Folha de São Paulo, no caderno Folhainvest, mostra geração de novos consumidores, exigente com preço e qualidade e preocupada com efeitos ambientais – e no bolso – do consumismo exagerado, promete mudar hábitos de consumo no país. E isso pode acontecer bem antes de esses cidadãos – hoje em idades pré-escolar a até 17 anos – chegarem ao mercado de trabalho.

Escolas paulistanas tradicionais, como Miguel de Cervantes e Arquidiocesano – e futuramente a rede pública, que terá educação financeira no ensino médio a partir de 2012 – desenvolvem em sala de aula noções de orçamento familiar, crédito, seguros e investimentos pessoais.

Para desagrado do comércio, a lição número um ensinada às crianças e adolescentes é diferenciar coisas que necessitam (remédios, material escolar) daquilo que desejam (videogames, roupas), mas que podem esperar.

Diferentemente dos pais, que atravessaram anos de consumo represado, os especialistas vêem nessa geração um ímpeto menor de se lançar ao consumismo desenfreado, apesar da publicidade.

“Elas vêem esse consumismo nas pessoas que conhecem e que enfrentam dificuldades”, afirma José Alexandre Vasco, superintendente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que acompanha a implementação do conteúdo na rede pública. “Procuramos desenvolver um raciocínio crítico na tomada de decisões, que se refletirá em valores, atitudes e comportamentos”, diz Vasco.

Na escola estadual Dogival Barros Gomes, na Vila São Carlos (zona sul de SP), que participa do programa piloto de educação financeira, as aulas noturnas do professor Marcelo Alvares são disputadas pelos alunos do terceiro ano do ensino médio. “A maioria trabalha e, pela primeira vez, tem o seu dinheiro. Eles têm maturidade para guardar e planejar como usá-lo”, diz Alvares. Fonte: Folha de São Paulo

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Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar a opinião da população sobre a inserção da disciplina de Educação Financeira no currículo escolar das escolas. A maioria chegou a concordar com a criação da disciplina. Entretanto, poucos a vêem como prioridade.

“Acredito que primeiro deve ser resolvida outras questões, especialmente, a Matemática, oferecendo mais segurança aos professores, por meio de cursos, capacitações, e melhores condições de ensino, como, por exemplo, um número menor de alunos por sala. Com esse problema resolvido, não só Educação Financeira, mas outras matérias poderão ser incluídas”, disse o professor Murilo de Oliveira, 24 anos.

Veja, na íntegra as respostas:

Professor diz que mesada é boa e faz o jovem crescer

Membro do Departamento de Contabilidade da USP-Ribeirão, o professor do curso de Administração da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ituverava, Marcelo Ambrozini, 32 anos, diz que a Educação Financeira já é bastante aplicada nos Estados Unidos.

“Naquele país, a criança aprende a lidar com dinheiro logo nas séries iniciais do aprendizado, e existem pessoas altamente capacitadas para este ensino, como economistas, psicólogos e muitos outros profissionais. Dessa forma, o aluno passa a ter uma noção melhor do valor do dinheiro e das relações de consumo, e evita que sejam ‘adultos problemáticos’, financeiramente falando”, afirmou.


Ambrozini concorda que este tipo de ensinamento deve acontecer, não somente na escola, mas também em casa. “É bem-vista a idéia de a criança ter uma mesada, para que ela tenha noção do quanto custa aquilo que ela gasta. Com isso, pode elaborar até o orçamento mensal. No futuro, quando ele chegar ao Ensino Superior, poderá até optar por uma graduação na área de Economia, Administração, Contabilidade, pois já conhece os conceitos fundamentais”, concluiu o professor.