Marcha contra Corrupção, realizada em 7 de setembro, em Brasília: evento aconteceu em outras capitais e mostram indignação do brasileiroRedes sociais são utilizadas para marcar marchas e eventos contra a ladroagem do dinheiro público
Depois de ser enganado, ludibriado e literalmente saqueado por mais de quinhentos anos, desde o Descobrimento, o povo brasileiro cansou! A sociedade indignada finalmente declarou guerra à corrupção que corre a solta no Brasil, e começa a se organizar para protestar de forma mais contundente contra essa erva daninha que consome o país.
No feriado de 7 de Setembro, cerca de 25 mil pessoas participaram da Marcha Contra a Corrupção, em Brasília. Com cartazes pregando o fim do voto secreto dos parlamentares e contra a absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), os manifestantes ocuparam toda a Esplanada dos Ministérios até a Praça dos Três Poderes.
Organizada nas redes sociais – como o Facebook, o Twitter e o Orkut –, a marcha se valeu de cartazes e faixas, algumas bem-humoradas e outras mais radicais, para apelar a um sentimento de mobilização que não se via desde a época dos “cara-pintadas”, quando houve o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ocorrido em 29 de dezembro de 1992.
A manifestação – que se repetiu em várias capitais brasileiras – reflete um triste e amargo cenário: a corrupção chegou a níveis alarmantes no país. Nesta semana, a Revista Veja publicou reportagem especial que certamente mexeu com o brio do cidadão de bem. A cada ano, a corrupção rouba dos cofres públicos a exorbitante quantia de R$ 85 bilhões. Se a conta for esticada em 10 anos, foram R$ 720 bilhões. Esse montante seria suficiente para resolver os principais problemas do país e acelerar seu desenvolvimento.
Causas
De acordo com a reportagem da Revista – assinada por Otávio Cabral e Laura Diniz – os ministérios campeões de sumiço de dinheiro são o da Saúde, onde o rombo chega a R$ 2,2 bilhões, seguido do da Integração Nacional, onde o buraco ultrapassa o R$ 1,l bilhão. Outros ministérios são citados, como Educação, Fazendo, Trabalho e Emprego, Planejamento, Meio Ambiente, Cultura, Ciência e Tecnologia e Previdência.
Segundo o relatório anual “Assuntos de Governança” – que é publicado desde 1996 pelo Banco Mundial –, há uma curva ascendente no índice que mede a eficiência no combate à corrupção no Brasil. O índice, que avalia 212 países e territórios, registra subida descontínua da situação brasileira desde 2003, tendo atingido seu pior nível em 2006, quando atingiu a marca de 47,1 numa escala de 0 a 100 (sendo 100 a avaliação mais positiva). Mesmo se comparado a outros países da América Latina, o Brasil ficou numa posição desconfortável: Chile, Costa Rica e Uruguai obtiveram nota 89,8.
Impunidade
Um dos principais problemas que dificultam o combate à corrupção é a cultura de impunidade, ainda vigente no país. A justiça é morosa, e aqueles que podem pagar bons advogados dificilmente passam muito tempo na cadeia ou mesmo são punidos.
Como disse o jornalista Eugênio Bucci, em artigo publicado na Revista Época, nesta semana, “a corrupção virou a pior forma de barbárie de nossa democracia, não apenas porque mercadeja com o destino de crianças ou porque sacrifica vidas em hospitais imundos e estradas abandonadas, mas principalmente por finalidade é a apropriação da riqueza de todos para fins privados (e fins partidários são fins privados)”.
Além disso, o fato de os políticos terem direitos como o foro privilegiado ou serem julgados de maneira diferente do cidadão comum também contribuem para a impunidade.
Em estudo divulgado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), foi revelado que entre 1988 e 2007, isto é, um período de dezoito anos, nenhum agente político foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante este período, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou apenas cinco autoridades.
Combate
Por parte da sociedade civil, instituições como a “Transparência Brasil” fazem o seu papel de denunciar e combater as manifestações de corrupção. Outro instrumento eficaz no combate à corrupção é a transparência.
Conforme indica o economista Marcos Fernandes da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, “para combater a corrupção, é preciso ter políticas de longo prazo preventivas. É preciso fazer uma reforma administrativa (...). Disseminar a bolsa eletrônica de compras, informatizar os processos de gestão, permitir que o cidadão fiscalize a execução orçamentária on line”.
ENQUETE
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar ao ituveravense a opinião sobre as manifestações contra a corrupção. A maioria aprovou as ações. “Acredito que essas medidas são o primeiro passo no combate à corrupção. Considero esse problema como um dos mais graves, pois se reflete até no exterior. É algo que acontece por causa da população – que escolhe mal seus governantes – e, por isso, a solução também deve vir dela”, observa o estudante Juliano Aparecido Balbino, 22 anos, estudante.