GERAL

A ituveravense Júlia e o marido Jorge Perren, no deserto da Patagônia, no Chile; ao fundo, a cordilheira dos Andes
07/11/2011

ITUVERAVENSE FALA SOBRE SUA VIDA NO CHILE


Júlia Campos – que se prepara para ser mãe pela primeira vez – enumera as vantagens de se viver em um país admirável

Deixar o Brasil para viver, por algum tempo, em vários países da América Latina. Parece ruim? Que nada! Para a ituveravense Júlia Maria de Paula Ribeiro e Arruda Campos, 34 anos, é tudo tão natural, quanto andar de bicicleta.

Formada em Turismo pela PUC-Campinas, ela se casou com o diplomata Jorge Perren, e foi residir em Buenos Aires (Argentina). Atualmente, ela mora em Santiago (Chile). “Em outubro de 2009, nos mudamos para o Chile, onde ficaremos até, pelo menos, 2014”, explica a ituveravense, em entrevista exclusiva à Tribuna de Ituverava.

A ituveravense é filha da professora Maria Vitoria de Paula Ribeiro e Paulo Roberto de Arruda Campos e tem a irmã Ana Cândida de Paula Ribeiro e Arruda Campos.

Tribuna de Ituverava – Há quanto tempo deixou Ituverava? Viveu em quais lugares? Por que deixou o Brasil? Onde e quanto tempo vive no Chile? Por que este país?


Júlia Maria de Paula Ribeiro e Arruda Campos – Deixei Ituverava pela primeira vez, quando fui morar em Campinas em 1998, para fazer o curso de Turismo na PUC-Campinas. Lá, fiquei depois de me formar, trabalhando, até 2005, quando voltei a viver em Ituverava por um período de 2 anos. Já sabia que logo mais ia me mudar de novo.

Em 2007, Jorge – na ocasião meu namorado – voltou do México para morar em Buenos Aires e trabalhar na Chancelaria Argentina e eu me juntei a ele, ficando por lá 2 anos. Depois ele foi transferido para Embaixada da Argentina, em Santiago do Chile. Em outubro de 2009, nos mudamos para o país, onde ficaremos até, pelo menos, 2014.

Jorge pediu a transferência para o Chile porque o cargo que teria na Embaixada aqui (chefe da Seção Econômica e Comercial) ele gosta muito de fazer na Diplomacia. Também porque o país é próximo tanto da Argentina quanto do Brasil, e Santiago é uma cidade muito tranqüila.

Tribuna de Ituverava – Como é seu dia-a-dia no Chile? O país tem uma das economias mais estáveis da América Latina, considerado uma nação de Primeiro Mundo. Você sente estes reflexos, no dia-a-dia? De que forma?


Júlia – A economia não é tão estável assim, tem suas variações, principalmente com mudanças de governo. As coisas mudaram muito nesses 2 anos que estamos aqui.

Como é um país que produz pouco tem que importar muito, os produtos aqui não tem muitos impostos, portanto, tem coisas com custos muito baixos. Por outro lado, alguns serviços como energia elétrica, gás e água, entre outros, são caros.

Eu vivo em um bairro que chamam de Sanhattan, onde tem muitos estrangeiros, e é visto pelos Chilenos como um mundo à parte. Realmente, aqui é primeiro mundo e isso reflete na forma de viver. Você acaba tendo uma vida bem mais tranqüila e relaxada do que lugares onde pode ter mais perigo. Por exemplo, nada grave aconteceu no bairro, com o terremoto, as manifestações dos estudantes não chegam aqui, assim como não há violência, assalto e insegurança.

Mas a verdadeira Santiago tem tudo que uma capital tem de bom e de ruim. É uma cidade muito tranqüila se comparada á São Paulo, Buenos Aires, mas não concordo em nada com esse título de ‘primeiro mundo latino’.

Tribuna de Ituverava – Como os cidadãos vêem este país? Qual é a avaliação que você faz sobre eles? Quais são os pontos positivos e os negativos de se viver no Chile?


Júlia – O chileno, assim como qualquer cidadão de qualquer lugar do mundo, tem queixas. Falta isso, falta aquilo. Mas sinto que vêem muito o lado bom do seu país. Eu, particularmente, não posso compará-los com brasileiros ou argentinos, afinal com a profissão do meu marido eu vou morar em muitos lugares e sempre temporariamente.


Assim, tenho de viver a cultura e o modo de ser da população local. Se for difícil, tudo é provisório, se não ótimo, vamos aproveitar ao máximo!


Os chilenos são muito diferentes de nós e, o que às vezes requer paciência, mas amam brasileiros, isso é muito bom!


O bom de viver aqui é a tranqüilidade que o país e a cidade me oferecem como estrangeira. A paisagem é uma coisa incrível, tem muita coisa legal de turismo para fazer perto.

O ruim é ser um país sísmico, treme sempre, a cidade está isolada pela cordilheira e por isso é bem poluída, e às vezes o frio me deixa mal humorada. Mas, eu gosto muito, e estou muito feliz aqui!





Tribuna de Ituverava – Você está prestes a ser mãe neste país. Quais são as perspectivas que você traça para seu filho?


Júlia – Eu escolhi ter meu filho aqui primeiro porque a Saúde Particular é maravilhosa e também por outras facilidades. Mas, ele vai ter as nacionalidades brasileira e argentina.

Ele vai ter a oportunidade de viver em lugares diferentes e, por isso, eu espero e quero que seja uma pessoa aberta a todas as culturas, a todas as línguas a todos os modos de viver, aproveitando, assim como eu e meu marido, o que cada lugar possa dar de bom, sem preconceito e adaptado sempre.

Quero que, com essas experiências, ele não fique preso em um mundo pequeno, que não seja frustrado e que, quando mais velho, possa dizer que ganhou o mundo!





Tribuna de Ituverava – Quais as lembranças que tem de Ituverava? Pretende voltar a viver aqui?


Júlia – Ituverava é minha cidade, são minhas raízes, é meu mundo. Sempre serei ‘de Ituverava’. Vivo intensamente tudo que acontece aí, falando de amigos e parentes. Esse vínculo não quero perder, esteja onde estiver.

Vou a Ituverava pelo menos 2 vezes no ano e quero seguir com essa média. Assim, as lembranças de minha terra estarão sempre frescas. Mas, acho meio difícil voltar a morar na cidade, pelo menos vendo o contexto atual da minha vida. Mas, quem sabe?



Chile



É um país da América do Sul que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico.. É um dos dois únicos países da América do Sul que não tem uma fronteira comum com o Brasil, além do Equador.

O Chile possui um território incomum, com 4.300 km de comprimento e, em média, 175 quilômetros de largura - o que lhe dá um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo - o Atacama - no norte do país, um clima mediterrâneo no centro, até um clima alpino propenso a neve ao sul, com geleiras, fiordes e lagos.[3]

Atualmente, o Chile é um dos países mais estáveis e prósperos da América do Sul.[3] Dentro do contexto maior da América Latina, é o melhor em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica, baixa percepção de corrupção e índices comparativamente baixos de pobreza.

Também é elevado o nível regional de liberdade de imprensa e de desenvolvimento democrático. Sua posição como país mais rico da região (empatado com o México), em termos de produto interno bruto per capita (a preço de mercado e paridade do poder de compra), no entanto, é contrariada devido ao seu alto nível de desigualdade de renda, medido pelo coeficiente de Gini. Em maio de 2010 o Chile se tornou o primeiro país sul-americano a aderir à OCDE. O país também é um membro fundador das Nações Unidas e da União de Nações Sul-Americanas.