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17/11/2011

PREFEITA DE RIBEIRÃO PRETO DÁRCY VERA É CITADA POR ESTELIONATÁRIA QUE ´VENDIA´ CASAS DA CDHU




A prefeita Dárcy Vera teve o seu nome citado por uma das mulheres detidas, suspeita de participar de um esquema de cobrança que, supostamente, favorecia a compra de casas no Conjunto Habitacional Paulo Gomes Romeo, da CDHU.

Em depoimento à polícia nesta quarta-feira (16), a representante comercial Marta Aparecida Mobiglia, de 45 anos, disse que negociou um emprego com a prefeita, com as funções de recolher dinheiro e documentos para a aquisição de moradias. Ela seria responsável por repassar tudo à Marli Vera, irmã da prefeita, em troca de um salário de R$ 1,8 mil por mês.

De acordo com o advogado de Marta, Antonio Carlos de Oliveira, a linha telefônica em que sua cliente fazia os contatos, está à disposição da Justiça para auxiliar nas investigações. “Todas as instruções que foram passadas pela irmã da prefeita Dárcy Vera e pela prefeita Dárcy Vera se deram por telefone. Inclusive, passamos para a autoridade policial o número do telefone da nossa cliente para que seja oficiada a operadora para que se mande a bilhetagem referente a esse número e as ligações recebidas”, disse o advogado.

Dárcy Vera nega
Após saber das acusações, a prefeita Dárcy Vera convocou uma coletiva de imprensa para negar qualquer tipo de envolvimento com o caso, e disse ainda que vai contribuir com todas as investigações. Perguntada se ela já tinha conversado com a representante comercial, Dárcy garante que jamais falou sobre esse assunto com alguém. "Eu falo com todo mundo. Eu falo por twitter, facebook, orkut, retorno todas as ligações. Mas posso afirmar, com certeza, que nunca tratei deste assunto, com qualquer pessoa que seja. Por isso faço questão e estou a disposição para esclarecer", disse a prefeita Dárcy Vera.

Sobre o envolvimento da irmã, Marly Vera, Dárcy a defendeu. "Minha irmã não trabalha comigo, não trabalha na prefeitura, não tem nenhum cargo público. Se a minha irmã conhece ou não conhece, eu nao sei. Ela já disse que não conhece", comentou.

Não conheço
Procurada pela reportagem da EPTV, Marli Vera, irmã da prefeita, disse por telefoen que não conhece e que nunca conversou com a mulher que fez as acusações.

CDHU
Duas mulheres suspeitas de cobrar até R$ 6 mil para facilitar a compra de casas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de Ribeirão Preto foram detidas no dia 8 de novembro. Ao todo, 11 pessoas foram ao 4º Distrito Policial registrar boletim de ocorrência.

Com a promessa de que seriam contempladas com moradias no bairro Paulo Gomes Romeu, elas afirmam que chegaram a pagar R$ 1,6 mil para entrar na fila de distribuição de imóveis. Segundo o delegado Marcelo Veludo Garcia de Lima, as casas são da CDHU, no entanto, o cadastro é da Cohab.

“Eu dei o valor de R$ 3 mil para conseguir essa casa da Cohab”, disse o músico Giliard Tavares Reis.

“Ela falou que a casa ia sair em março. Eu dei o dinheiro em janeiro. Passou o mês de março e elas disseram que iam dar a casa em julho. Na esperança de ter a casa, aconteceu o que aconteceu. Agora, só Deus sabe”, disse uma mulher que preferiu não ser identificada.

O presidente da Cohab de Ribeirão Preto, Silvio Martins, afirmou que vai investigar se funcionários estão ligados ao suposto crime. “Eu estou aqui, junto com o chefe do jurídico, para apurar isso. Vamos levantar junto à autoridade policial se tem algum nome de funcionário envolvido”, declarou.

As duas suspeitas foram ouvidas e liberadas. Segundo a advogada da dupla, suas clientes responderão apenas ao juiz. “Elas me passaram que elas são inocentes. Elas vão falar em juízo.”, disse a advogada Maira Ferreira Teles que foi chamada pelas suspeitas, sem as conhecê-las. "Não tive tempo para conversar com as minhas clientes. Elas pegaram o meu cartão e me ligaram", disse Maira.

Ministério Público
O promotor de Justiça Sebastião Sérgio da Silveira acredita que funcionários públicos estão envolvidos em vendas irregulares de casas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em Ribeirão Preto. Um inquérito irá apurar uma suposta improbidade administrativa envolvendo servidores da CDHU e da Cohab.

Para o promotor, as negociações contam com a ajuda de servidores. “Eu pessoalmente não acredito que pessoas de fora da CDHU e da Cohab possam estar intermediando isso sem a colaboração de funcionários desses dois órgãos. Vamos tentar apurar quem são de fato essas pessoas envolvidas no esquema”, afirma.

Fonte: EPTV.com