Envolvidos são suspeitos de desviar R$ 961,2 mil de dinheiro público para fins particularesO Ministério Público obteve uma liminar da Justiça que bloqueia os bens do prefeito de Leme, Wagner Ricardo Antunes Filho, de três secretários municipais, de cinco vereadores, de funcionários públicos e comerciantes do município.
A solicitação foi feita em uma ação civil pública por improbidade administrativa dos envolvidos em um suposto esquema de desvio de R$ 961,2 mil dos cofres públicos para fins particulares, como compra de carne para churrasco, roupas, remédios e até caixas de baralho.
Na ação, os promotores pedem o afastamento do prefeito e a condenação de todos os envolvidos e o ressarcimento da verba desviada.
Também estariam envolvidos os vereadores Evanildo dos Santos Brito, Eduardo Leme da Silva, João Marcos Demetrio, José Eduardo Giacomelli e Ademir Albano Lopes, o chefe de compras Pedro Doniseti Benedito, os secretários Raul Augusto Nogueira (Governo), Joziane Cristina Francisco Pietro (Assistência e Desenvolvimento Social) e Aparecido Donizete Boff (Serviços Públicos); e os funcionários públicos Francisco D Ângelo Neto Gilson Henrique Lani e Márcio Roberto Silveira.
O MP também pede que os comerciantes envolvidos nas fraudes sejam condenados a ressarcirem o valor.
Para garantir a devolução, o MP pediu na Justiça a indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos. A Justiça de Leme decretou a indisponibilidade dos bens do prefeito e de outros requeridos, mas não dos secretários municipais. Os promotores então recorreram ao Tribunal de Justiça, por meio de agravo de instrumento e a 1ª Câmara de Direito Público, em acórdão proferido no último dia 30 de novembro, determinou que o bloqueio de bens seja estendido a todos os requeridos na ação.
O caso
De acordo com uma investigação do Ministério Público, o esquema, acontecia desde 2008. Em uma operação da Polícia Militar e de cinco promotores no dia 26 de agosto, foram apreendidos documentos que mostram que o esquema funcionava através de anotações de pedidos, algumas com a assinatura do prefeito Wagner Ricardo Antunes Filho.
"Quando a soma do valor desses produtos chegava perto do R$ 8 mil, valor que permite a dispensa de licitação, o supermercado informava a prefeitura e se fazia uma requisição falsa de cestas básicas, produtos de limpeza. Dessa maneira se esquentava a compra", disse na ocasião o promotor de Justiça Daniel Serra Azul.
Algumas compras incluíam caixas de baralho, camisas e remédios. Em um dos boletos, estava a compra de carnes para churrasco, com um valor de R$ 339, e que seriam supostamente encaminhadas para o setor de saúde.
Outro lado
No dia da operação, o advogado do prefeito, Edmilson Barbato, negou as irregularidades e disse que todas as compras foram feitas legalmente. A reportagem da EPTV entrou em contato novamente com o advogado e ele afirmou que, por enquanto, não recebeu a intimação do judiciário sobre o caso e assim que receber a intimação entrará com recursos, apresentando documentos de defesa comprovando que não existem irregularidades administrativas do prefeito.
A Câmara Municipal informou que ainda não foi notificada, mas vai recorrer da decisão. Os outros envolvidos não foram encontrados para falar sobre o caso.