A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Ribeirão Preto que investiga denúncias de fraudes envolvendo casas populares pode apurar irregularidades em outras cidades da região. Desde que começou a trabalhar, a CPI tem recebido denúncias de pessoas que disseram ter pago por casas, mas não terem recebidoram as chaves.
A CPI também foi procurada por moradores de outras cidades da região. O sapateiro Roberto de Souza Torres, de Franca, disse que perdeu a casa em que morava, na Cohab, por ter atrasado algumas prestações. Ele tentou negociar a dívida, mas não conseguiu reaver o imóvel.
“A minha casa foi vendida antes de eu ter feito o acordo e tem hoje outros moradores nessa casa que eu morava. Então, quer dizer, o próprio titular da casa não teve condições de fazer um acordo com o conjunto”, relata Torres.
Ele disse que outros mutuários teriam enfrentado a mesma situação em Franca. “Está tendo um tipo de corretagem de imóveis lá dentro (da Cohab). O titular perde a casa (a Companhia) pega um dinheiro do povo que vai entrar na moradia e coloca outra pessoa no local. Com o titular não tem acordo”, diz o sapateiro.
O presidente da CPI, Walter Gomes (PR), disse que essas pessoas, mesmo morando em outras cidades, poderão ser ouvidas durante as investigações.
“A CPI poderia fazer a convocação e se as pessoas não tiverem a condição de vir até nós, nós iremos até as pessoas para ouvi-las e saber se realmente esses fatos estão acontecendo também nessas cidades, se é que existe”, explica Gomes.
Um homem procurou Walter Gomes alegando ter imagens de um encontro de funcionários públicos negociando a venda de casas. “Mas ele me pediu uma quantia de valor muito alta e eu disse para ele que eu estava trabalhando e se ele quisesse cooperar, para ele trazer o vídeo, ou que seja as fotos, para que nós, juntos, fizéssemos o trabalho e descobríssemos quem são as pessoas que estariam nesses vídeos”, afirma.
O departamento jurídico da Cohab deve se manifestar na terça-feira (13) sobre as novas denúncias.
Dívida
Na tarde desta segunda-feira (12), a Comissão recebeu da Prefeitura o termo de confissão de dívida, assinado pelo prefeito Gasparini, em 2007. No documento, o prefeito reconhece o valor devido pela Cohab, na época, R$ 105 cento milhões de reais. Hoje, com os reajustes, esse valor passa de R$ 300 milhões.
Esta semana a CPI deve decidir as pessoas que devem ser ouvidas, se será pedida a quebra de sigilos bancário e telefônico dos envolvidos e também se a Comissão vai trabalhar durante o recesso, em janeiro.