GERAL

Encontro Nacional de Folia de Reis, realizado em Muqui, cidade que fica no Sul do Estado do Espírito Santo
09/01/2012

COMPANHIAS PEREGRINAM DO NATAL ATÉ O DIA 6 DE JANEIRO




Além da devoção e do amor aos reis, a tradição de celebrar a data no Brasil se mantém viva também através dos grupos organizados, motivados por propósitos sociais e filantrópicos.

Cada grupo – chamado de “Folia”, “Companhia” ou “Terno” de Reis – é composto por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e do acordeão, também conhecida em certas regiões como sanfona, gaita ou pé-de-bode.

Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo é composto de dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas devidamente caracterizadas segundo as lendas e tradições locais. Todos se organizam sob a liderança do Mestre da Folia – ou capitão – e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.

O capitão da Companhia “Os Magos do Oriente”, Eurípedes Barsanulfo de Castro (“Nadola”), 62 anos, fala sobre seu amor e devoção aos Reis. “’Os Magos’ existem desde 1968. Eu me lembro que acompanho a companhia desde criança, e desde esta época, já vi muitas pessoas serem abençoadas com o poder dos Reis Magos e muitas graças serem alcançadas. É muito bom poder dar continuidade a este rito, que traduz o mais puro sentimento de fé”, explicou.

A devoção de “Nadola” e a fé de vários outros devotos podem ser perfeitamente medidas através da grandiosidade de seus feitos. Fiéis de toda a cidade auxiliam na construção da Igreja dos Reis Magos, que está sendo erguida na entrada do Jardim Guanabara, desde 1999.

“Quisemos fazer alguma coisa que traduzisse nossa fé. Então, passamos a nos dedicar à construção da Igreja, que hoje, está em fase de acabamento. Também possui um salão e um espaço que, futuramente, será uma cozinha. Porém, para concluir a obra, dependemos de doação da comunidade, que acontece aos poucos. Aliás, quem quiser nos ajudar, pode doar material para que a Igreja seja finalmente concluída. Isso será mais que uma vitória”, concluiu “Nadola”.