ECONOMIA

Pacote do pó torrado e moído salta de R$ 6,50 para R$ 7,40
13/01/2012

CONSUMIDOR PAGA 15% MAIS PELO CAFEZINHO EM RIBEIRÃO




O cafezinho está mais caro para o consumidor nas prateleiras dos supermercados em Ribeirão Preto. A alta no pacote de 400 gramas do pó do grão foi de 15% nesta semana. O produto torrado e moído passou de médios R$ 6,50 para R$ 7,40 dentre as marcas encontradas no mercado.

Mas esse valor pode subir ainda mais se o cenário mundial for mantido. É que os supermercados repassam a alta das torrefadoras, empresas que compram do produtor. O café atualmente esbanja valorização e está em escalada de aumentos.

Tiago Albanesi, presidente da Apas, associação que representa os supermercados na região, disse que o supermercadista apenas repassa a alta da nota de compra. "Dependemos dos fornecedores e nem todos têm estoque para manter o preço. Nesse produto o repasse tem que ser imediato", explica.

Futuro
A presidente da Café Utam, Ana Carolina Soares de Carvalho, uma das maiores fornecedoras em Ribeirão Preto, o percentual de reajuste nos produtos à base de café foi de 15%. O aumento, diz a empresaria, foi a partir de 1º de janeiro.

Os motivos são elevação do custo do grão e elevação da carga tributária sobre o produto. "Mesmo com anúncio da safra recorde em 2012 não acredito que haverá recuo de preços nos próximos meses, já que o cenário apresentado pelo mercado para o comércio futuro, como a bolsa, permanece firme e não sinaliza queda para matéria-prima", afirma a executiva.

Preço maior puxa estoque
Para esperar uma melhor cotação no preço da saca do café de 60 quilos, produtores de café na região de Ribeirão Preto estocam o produto. O cafeicultor vende a saca por R$ 500 hoje. Esse valor pode chegar a R$ 550 até o mês que vem. Os motivos são estoques mundiais apertados, demanda crescente e baixa disponibilidade do grão no mundo.

"Quem produziu mais estoca o grão, só que cerca de 80% dos produtores já negociaram antes", explica Guilherme Vicentini, produtor e presidente do Sindicato Rural de Altinópolis. Na filial da Cooparaiso, que corresponde a produtores de Batatais, Altinópolis, Santo Antônio da Alegria e Cajuru, são 28 mil sacas para vender. Os estoques estão baixos por causa da seca em 2010. No ano passado, nesta época eram 100 mil sacas. "45% da safra ainda estão nos armazéns da cooperativa", diz o comercializador Hugo Goulart, da Cooparaiso.

Na região, conforme Vicentini, a quebra deve ser de 20%. A Conab voltou a reduzir ontem em 2,8% a previsão da safra de grãos 2011/ 2012 por causa da estiagem no sul do país.