Evento está previsto para ser realizado neste domingo, na Praça Dez de Março, às 10h Vários casos de maus-tratos a animais tem acontecido no país, e que chocaram a opinião pública. Muitos donos que, deveriam cuidar de seus bichinhos, os maltratam, chegando, em alguns casos, até a matá-los. Na maioria das vezes, são animais domésticos, pequenos e indefesos.
Com o intuito de dar um basta nesta crueldade, várias manifestações acontecerão em várias cidades do país, neste domingo, dia 22 de janeiro. Em Ituverava, a manifestação, que recebeu o nome de “Crueldade Nunca Mais”, está prevista para às 10h, na Praça Dez de Março. Os participantes se encontrarão no local, onde, entre outras atividades, assinarão um abaixo-assinado pedindo para que as leis contra maus-tratos aos animais sejam mais rigorosas.
A presidente da ONG “Muitas Patas” e uma das organizadoras do evento, Fabiana Wagner de Castro, fala sobre a manifestação em Ituverava. “A expectativa é que muitas pessoas participem, para mostrar muitos respeitam os direitos dos animais”, disse.
“Hoje, muitos casos de maus-tratos têm ocorrido e a manifestação busca mudar essa triste realidade”, ressaltou.
Divulgação
Para que os organizadores conseguissem um bom número de participantes na manifestação, o evento foi bastante divulgado na cidade. Os organizadores concederam entrevistas aos jornais e rádios, além de divulgarem pelas redes sociais, como o Facebook.
Dentre os locais em que o evento foi divulgado está a Rádio Superativa FM, onde os organizadores Fabiana Wagner de Castro e Mauro de Souza Monso concederem entrevista ao vivo ao locutor Paulo Júnior.
“É um evento muito importante, portanto, convido a todos para que participem, para que possamos lutar juntos pelos direitos dos animais, que são indefesos”, destacou Fabiana.
ONG
Também com o objetivo de lutar pelos direitos dos animais, foi criada recentemente em Ituverava, a ONG “Muitas Patas”. “O objetivo é trabalhar para conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar adequadamente de um animal”, ressalta .
“O objetivo da ONG é conscientizar as pessoas para que elas não maltratem animais, não os abandonem e que os castrem, para que assim o número de animais vivendo nas ruas diminua”, concluiu Fabiana Wagner de Castro.
Casos recentes
Em Piracicaba, o dono de um cachorro o arrastou pelo carro, até ele morrer. Em São José do Rio Preto, um filhote foi esfaqueado e sobreviveu. Em Novo Horizonte, um cão foi enterrado vivo e acabou salvo por um vizinho. Três cães em Itajobi foram baleados pelo dono. Dois morreram.
No estacionamento do Aeroporto de Rio Preto, foi encontrado um cachorro trancado no porta-malas de um carro e em São Paulo, uma mulher é suspeita de matar 33 cães.
Uma chacina em Ribeirão Preto também chocou a população. No bairro Morro do São Bento, 46 animais, sendo 39 gatos, seis gambás e uma cadela foram encontrados mortos.
Maus-tratos de animais são freqüentes há muito tempo
Os maus-tratos de animais são práticas muito comuns na história da humanidade e perduram até os dias de hoje. Não é raro nos depararmos com situações evidentes contra animais domésticos ou domesticados. Lojas que abrigam animais em gaiolas minúsculas, sem qualquer condição de higiene, cães presos em correntes curtas o dia todo, proprietários que batem covardemente em seus animais ou os alimentam de forma precária, levando o animal à inanição, cavalos usados na tração de carroças que são açoitados e em visível estado de subnutrição.
Sofrimento
Mas há situações em que sabemos que o animal está sofrendo, só que a caracterização de maus-tratos é subjetiva. Por exemplo, seu vizinho deixa o cão preso o dia todo num quintal pequeno, sem abrigo, sozinho, latindo sem parar. Para a maioria das pessoas, isso pode ser caracterizado como “maus-tratos”, mas pode ser perfeitamente normal para o dono do animal.
De acordo com Marco Ciampi, presidente da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil), o princípio básico nas relações homem-animal deve ser o de “caber ao homem prover condições adequadas para a manutenção das necessidades - físicas, psicológicas e comportamentais - do animal. Quando não se é capaz de garantir a segurança do animal, este não deve ser mantido pelo homem”, explica.
Não há estatísticas sobre os números de animais que sofrem maus-tratos no Brasil. Mas há diversas formas de crueldade, a maioria delas consentida, contra eles. Os exemplos seguem uma lista longa, que inclui: o sacrifício de animais em rituais religiosos, seu uso em rodeios, circos e touradas, práticas folclóricas bárbaras, como a farra do boi, ou até aprisioná-los em zoológicos. E várias associações também sugerem a extinção de uma prática comum em centros de zoonose espalhados pelo Brasil, as famosas carrocinhas.
Muitos adotam a injeção letal para matar os animais que não tem para onde ir. Em alguns estados, isso está mudando.
Enfermeira que matou cachorra em Goiás é indiciada por 2 crimes
A Polícia Civil de Formosa, a 282 km de Goiânia, concluiu nesta quarta-feira, 18 de janeiro, o inquérito sobre o caso da mulher que espancou, em novembro do ano passado, uma cachorra de 4 meses em frente à filha de 1 ano e meio. Em decorrência da surra, o animal, da raça Yorkshire, morreu. As cenas de crueldade, filmadas por um vizinho da enfermeira Camila Corrêa Alves de Moura Araújo dos Santos, 22 anos, foram reproduzidas nas redes sociais da internet em dezembro e geraram comoção.
Segundo a delegada titular do 2º DP de Formosa, Renata Machado Brandimarte, Camila foi indiciada por dois crimes. O primeiro, conforme o artigo 32 da Lei nº 9605 (dos Crimes Ambientais), é relativo aos maus-tratos contra o animal; sua pena varia de três meses a um ano de detenção, com acréscimo de um terço por causa da morte da cadela. O outro é previsto no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente, e pune o constrangimento a criança com pena de seis meses a dois anos de reclusão.
“Os dois crimes prevêem pena em regime aberto ou semi-aberto, infelizmente um castigo muito brando, já que a moça não deve ficar presa”, afirmou a delegada. Segundo ela, porém, a enfermeira já está sendo punida socialmente pela crueldade contra o Yorkshire. “Ela e o marido tiveram que se mudar da cidade, porque não suportaram as críticas públicas a que eram submetidos”, contou.
De acordo com Renata, as conclusões gerais do inquérito já estavam esboçadas no final do ano passado, mas faltava o laudo psicológico da criança, que só ficou pronto agora. “O laudo foi inconclusivo, porque a criança é muito novinha e, segundo especialistas, só a partir dos 3 anos é possível determinar, com segurança, se ela vai desenvolver trauma futuro por causa das cenas que presenciou”, disse a delegada.
No entanto, independentemente do possível trauma da menina, acrescentou a delegada, é evidente que no momento do espancamento da cadela a criança foi constrangida, e Camila por isso deve ser punida. O inquérito será encaminhado na próxima semana ao Ministério Público de Goiás, que vai decidir se acata ou não a denúncia.