O diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, demitido pela presidente Dilma RoussefO governo decidiu demitir ontem o diretor-geral do Dnocs (órgão federal de combate à seca), Elias Fernandes, após receber ameaças do PMDB, que tentava mantê-lo no cargo. A ação também "atropelou" Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), que comanda ministério ao qual o órgão é subordinado.
A demissão foi uma reação às declarações do líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), padrinho político do diretor do Dnocs. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele disse duvidar que o governo brigaria com “metade da República” e “com o maior partido do Brasil”.
O governo começou a cogitar tirar Fernandes do cargo depois que veio a público um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) mostrando desvios de R$ 192 milhões na estatal. No início da semana, o ministro Fernando Bezerra, pressionado pelo governo, confirmou que haveria mudanças no órgão, o que levou Eduardo Alves a sair em defesa do afilhado.
Mas, em dezembro de 2011, encaminhou ofício para a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) dizendo que, após analisar relatório da CGU, não havia necessidade de fazer uma "intervenção ministerial" por considerar a medida "demasiadamente drástica”.
No documento, ele diz que os problemas se resolveriam apenas com a exoneração do diretor administrativo, o único que não tinha mais padrinho político.
A demissão de Fernandes foi determinada quinta-feira, pela presidente Dilma Rousseff, e coube à ministra da Casa Civil informar o vice-presidente, Michel Temer (SP), e Bezerra da decisão. Temer vinha trabalhando para segurar o diretor do Dnocs no cargo ou buscar uma saída honrosa.
Temer reclamou com aliados
No governo já há quem avalie que Eduardo Alves perdeu a condição de indicar o próximo dirigente do Dnocs após subir o tom. Ele, porém, escreveu ontem no microblog Twitter que indicará o “novo nome”.
No PMDB, a reação à demissão foi em tom de retaliação. Parlamentares disseram que não ajudarão mais ministros envolvidos em irregularidades. “Vamos avaliar nossa postura a partir de agora”, disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que também perdeu uma vaga no Dnocs.