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Bebidas alcoólicas podem ser liberadas nos estádios, apesar de alguns estados proibirem seu consumo
13/02/2012

ENQUETE - EDIÇÃO 2964: FIFA QUER QUE BEBIDAS ALCOÓLICAS SEJAM LIBERADAS NA COPA DO MUNDO


Legislação brasileira proíbe consumo de álcool em estádios, entretanto, a Fifa pressiona para que a lei seja invalidada

Recentemente uma nova polêmica se instalou no país. A Fifa, entidade que controla o futebol no mundo, anunciou que uma de suas exigências para a Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil, é que seja permitida a venda de bebias alcoólicas nos estádios de futebol, o que até o momento é proibido pela legislação brasileira.

A maioria dos estados do Brasil tem leis que proíbem a venda de bebidas alcoólicas, assim como há uma regra da CBF que impede a comercialização em seus campeonatos.

Entretanto, a pressão da Fifa, que possui uma empresa fabricante de cerveja como um dos seus principais patrocinadores, tem sido grande. “A bebida alcoólica é parte da Copa do Mundo da Fifa, então vai ter. Me desculpe, eu posso parecer um pouco arrogante, mas isso é algo que a gente não negocia. Tem que ser parte da lei o fato de que nós temos o direito de vender cerveja”, disse o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke.

Alegação
A alegação de Valcke é que a comercialização de cerveja nesta competição é por causa de acordo com patrocínios, que a Fifa tem desde 1986.“A nossa parceira, inclusive, é uma empresa brasileira", disse, lembrando que a cervejaria brasileira AmBev integra a AB InBev.

No entanto, para que se oficialize a venda de bebidas alcoólicas em 2014, é preciso ser aprovada por uma comissão especial na Câmara dos Deputados, para depois passar no plenário e por fim receber o aval dos senadores. No entanto, devido ao recesso, a decisão só voltará a ser discutida em neste mês.

Liberação antes da Copa
Embora a discussão no plenário não tenha sido concluída, o relator da Lei Geral da Copa, o deputado federal Vicente Cândido (PT), anunciou que as bebidas alcoólicas poderão ser vendidas em todos os estádios de futebol antes mesmo da Copa do Mundo.



Ele afirma ter combinado a liberação com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e com o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanches (presidente licenciado do Corinthians), em reunião na semana passada sobre a mudança no Estatuto do Torcedor.

“Mostramos que seria injusto penalizar um setor da economia com a proibição. Num estádio como esse, que terá 18 pontos de venda de comida, seria injusto não poder comercializar bebida alcoólica”.

A mudança tem que alterar o artigo 13 do Estatuto do Torcedor, que foi incluído em 2010, e trata a questão como segurança dos torcedores em eventos esportivos: “Não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”.

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Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas para saber a opinião de ituveravenses sobre a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol. A maioria dos entrevistados não concorda com a liberação, como é o caso do comerciante João Albino Gonçalves. “Não concordo, pois com a liberação as pessoas bebem muito e com isso, pode surgir confusão”, disse.

Entretanto, também existem os que defendem a comercialização de bebidas alcoólicas. “Concordo com a venda, pois bebida e futebol são duas coisas que combinam, além de ser uma tradição entre os brasileiros”, afirmou o balconista Roberto Carlos Costa. Confira as respostas na íntegra.

Ministro do Esporte afirma ser favorável à venda de bebidas

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou ser favorável à venda de bebidas alcoólicas em estádios durante a Copa do Mundo de 2014.

Entretanto, ele diz que isso pode acontecer desde que se encontre uma forma de garantir a segurança nos locais de jogos e, ao mesmo tempo, o direito do cidadão de beber em seu momento de lazer. Rebelo acredita que a Lei Geral da Copa, em discussão no Congresso Nacional, apontará o caminho para esse equilíbrio.

Na última segunda-feira, 6 de fevereiro, durante visita ao Museu Pelé, no centro histórico de Santos, ao lado do Rei do Futebol, dos ministros do Turismo, Gastão Vireira, e dos Portos, Leônidas Cristino, além de autoridades locais, Rebelo comentou que sempre vai aos jogos do Palmeiras, seu time do coração, porém, nunca consome bebidas alcoólicas, mas defende o direito de quem gosta de beber assistindo aos jogos.



“Vou a quase todos os jogos e só bebo guaraná. Mas acho que é preciso que se encontre um equilíbrio entre a restrição, por saúde, segurança, proteção de menores, e o direito do cidadão de, sob determinadas condições, ter acesso à bebida dentro do seu espaço de lazer”, afirmou.

O ministrou ressaltou, por outro lado, que é contra a venda indiscriminada. “Acredito que o caminho a ser adotado é o de permissão, com restrições. Não sei exatamente como, pois o assunto está sendo discutido no Congresso, na Lei Geral da Copa”, disse.

Rebelo espera que a Lei Geral da Copa seja aprovada até março. “Essa é a vontade do Governo, mas dependemos do Congresso”, concluiu.

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