POLϿ�TICA

28/02/2012

TUCANO ANUNCIA CANDIDATURA NO TWITTER; PSDB TENTA ADIAR PRÉVIA




O ex-governador José Serra confirmou ontem querer ser candidato a prefeito de São Paulo. ´Hoje (ontem) comunicarei por escrito à direção do PSDB de São Paulo minha disposição de disputar a Prefeitura´, escreveu no Twitter. Segundo a direção do PSDB municipal, a carta deve ser enviada apenas hoje.

Serra também anunciou apoio à prévia do partido para escolher o nome que disputará a eleição. Ele disse que sempre foi favorável ao processo interno. ´E delas pretendo agora participar.

Embora tenha usado o verbo ´pretender´, o PSDB dá sua participação como certa, caso os outros concorrentes, o secretário José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli, não desistam da prévia.

A decisão do tucano, antecipada pelo estadao.com.br na sexta-feira, deflagrou uma operação da direção do PSDB para postergar a eleição interna, marcada para domingo. Ontem, o presidente do PSDB paulistano, Julio Semeghini, entrou em contato com Aníbal e Tripoli, para pedir que aceitassem postergar a prévia em, pelo menos, uma semana.

A questão será debatida hoje em reunião da executiva municipal, para a qual Serra foi convidado. A tendência é que os tucanos ligados a ele e ao governador Geraldo Alckmin consigam aprovar o adiamento da prévia, já que têm a maioria dos 16 votos.

Um dos argumentos usados para convencer os tucanos ligados a Tripoli e Aníbal, que têm pelo menos sete votos na executiva, será o de que Serra participaria de dois debates. Ontem, no último encontro da série programada no ano passado, a proposta de adiamento foi rechaçada pelos pré-candidatos. ´Podemos fazer um debate com Serra na quarta ou quinta desta semana´, afirmou Aníbal.

Nos últimos dois dias, os outros dois pré-candidatos, os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente), abriram mão da disputa interna. Depois que Serra mandar por escrito a carta informando querer participar da prévia, será feita a inscrição pela executiva, fora do prazo - a data final para isso era 14 de fevereiro.

Para Alckmin, a mudança na data é ´irrelevante´. ´Se é dia 4, se é dia 11, uma semana pra frente ou não, é irrelevante. A prévia existe se houver mais de um pré-candidato. A data é acessória.´

Vice. Ontem mesmo Serra manteve as articulações políticas em reuniões mantidas à noite, em seu escritório. O ex-governador já sonda os aliados sobre a indicação do vice. A chapa ´puro-sangue´, defendida como forma de compor com os tucanos que abriram mão da prévia, tem sido bombardeada por aliados que também pleiteiam o cargo.

A dobradinha do PSDB, dizem os que são contra a puro-sangue, daria motivos para adversários alegarem que Serra não pretende cumprir os quatro anos de mandato, caso vença - em 2006, ele deixou a Prefeitura para disputar o governo estadual.

O PSD, do prefeito Gilberto Kassab, quer indicar o vice. O mais cotado é o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider. O DEM pleiteia a mesma indicação, alegando que era o acordo com Alckmin antes da entrada de Serra. O PPS, da pré-candidata Soninha Francine, também está no radar.

O vice-governador, Guilherme Afif Domingos (PSD), ressaltou que seu partido tem bons nomes para o posto. ´Temos quadros que fizeram parte da administração Serra, mas não estamos colocando isso como condição´, salientou.

Além da questão da vice, os possíveis aliados de Serra questionam as vantagens de uma coligação na chapa proporcional com o PSD, que tem 11 vereadores. DEM e PSDB temem que a aliança com o partido de Kassab dificulte a ampliação de suas bancadas - ou até a manutenção do atual número. Ontem à noite, um grupo de vereadores tucanos anunciou apoio a Serra. ´Viemos mostrar que 6 dos 8 vereadores estão com Serra´, disse o líder da bancada, Floriano Pesaro. O grupo é o mesmo que apoiava Matarazzo.