ECONOMIA

Cliente não paga tarifa para realizar transferências ou receber extratos
21/03/2012

DOBRA O USO DE CELULAR EM TRANSAÇÕES BANCÁRIAS NO BRASIL




Em 2011, pelo menos 4 milhões de brasileiros usaram o celular para consultar o saldo bancário, pagar uma conta ou fazer operações mais sofisticadas como aplicações e resgates de fundos de investimento ou compras de ações. O cálculo é feito pelo sócio da consultoria Booz & Company e ex-diretor de tecnologia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gustavo Roxo. O número ainda é pequeno diante dos 38 milhões de pessoas que usam a internet para fazer operações bancárias. Mas representa um crescimento de quase 100% em relação aos 2,2 milhões de pessoas que usaram o celular para operações de `mobile banking´ em 2010, segundo dados da Febraban. Em 2009, foram 1,3 milhão de usuários do `mobile banking´, mostram os números da Febraban.

— Nossa estimativa é que os usuários do `mobile banking´ tenham quase dobrado entre 2010 e 2011, passando de 2,2 milhões de pessoas para 4 milhões no ano passado. É um crescimento elevado, que vem se repetindo nos últimos anos e vai se manter nesse ritmo nos próximos. Com a evolução da tecnologia dos smatphones, com sistemas operacionais Android, Blackberry e Windows Phone, ficou mais amigável fazer operações bancárias pelo celular. É como usar o computador, com a vantagem da mobilidade. Antigamente, havia apenas o wap banking, pouco amigável. Acreditamos que, em cinco anos, a base de clientes que usam a internet e os celulares para transações bancárias tende a convergir para o mesmo número — analisa Roxo.

Nesta semana, o Brasil superou a marca de 247 milhões de celulares habilitados. Só em fevereiro, foram 2,4 milhões de novas habilitações, o maior número dos últimos 13 anos. Na ponta do lápis, significa dizer que de cada 100 brasileiros, 126,45 têm um celular, o que na prática dá mais de uma linha para cada habitante, um elevado potencial de clientes do `mobile banking´.

— Com aparelhos oferecendo cada vez mais funcionalidades, a tendência é que o crescimento de usuários seja exponencial — avalia Roxo.

O uso do celular para operações bancárias é vantajoso para os bancos. Uma operação feita numa agência bancária custa, em média, R$ 3 para a instituição financeira, considerando gastos com funcionários, estrutura da agência. Se for feita pelo celular ou pela internet, o custo cai para apenas R$ 0,10. Com isso, os bancos tendem a aumentar a oferta de serviços e facilidades por celular. Para o cliente, a vantagem é principalmente a comodidade, mas ela tem um custo, já que o acesso à internet via celular é pago à operadora.

Há muitas novidades sendo oeferecidas pelos bancos via celular. No Itaú Unibanco, o aplicativo para iPhone e para Android permite que o cliente pague suas contas com código de barras usando a câmera do celular. No iPhone, os clientes de Seguro Auto Itaú podem acionar o serviço de assistência 24 Horas, seja resgate ou socorro mecânico, também por meio do aplicativo no celular. Com a ferramenta de GPS, o aplicativo permite acompanhar o trajeto do prestador acionado, com informações atualizadas sobre sua localização e previsão de chegada. Também é possível localizar pelo celular o caixa eletrônico mais próximo de onde o cliente está.

— Buscamos aproveitar as particularidades de cada aparelho ao desenvolver nossos aplicativos. Além disso, nosso objetivo é criar aplicativos fáceis de usar, quase intuitivos — diz Ricardo Guerra, diretor de Canais de Atendimento do Itaú Unibanco.

O Itaú Unibanco já ultrapassou a marca de 1,1 milhão de downloads para aplicativos de `mobile banking´.

De acordo com Luca Cavalcanti, diretor de Canais Digitais do Bradesco, no ano passado, a média mensal de operações por celular foi de 8 milhões. Este ano, segundo Cavalcanti, em janeiro e fevereiro, foram 15 milhões de operações via celular por mês, quase o dobro.

— As operações por celular já representam 2% de todas as operações do Bradesco — afirma Cavalcanti.

Ele afirma que apenas para o iPhone existem 19 aplicativos. É possível ter acesso ao extrato do cartão de crédito dos últimos 12 meses, comprar e vender ações, pedir talão de cheques, ativar o limite de crédito e pagar contas com código de barras.

— O cliente também pode receber diariamente um SMS com saldo da conta ou dos investimentos. Pode ainda receber mensagens interativas, depois de se cadastrar no site do banco, e ao respondê-las autoriza o pagamento de contas — diz Cavalcanti.

O gerente de Divisão da Unidade de Gestão de Canais do Banco do Brasil, José Lairton Rocha Junior, explica que mesmo com temor de fraudes pelos brasileiros, as operações de `mobile banking´ se expandem no país. O BB tem 1,8 milhão de clientes que usam o celular. Em dezembro de 2011, eles realizaram 11 milhões de transações. Entre os serviços que o cliente pode ter está o recebimento de um SMS com preço de determinada ação. O BB também oferece mensagens alertando que um débito foi feito na conta corrente ou uma fatura foi paga.

— As operações de pagamento de contas, consulta de saldo ou extrato são gratuitas. Para receber os SMS de alerta, o cliente paga R$ 3,50 ao mês — diz Lairton.

O BB criou um serviço em que o cliente pode fazer um saque sem cartão, o Saque Sem, usando seu celular. Pelo número cadastrado, ele envia um SMS ao banco, recebe um código e autoriza o filho ou a mulher a fazer um saque num terminal do banco.

— Temos muitos estudos de novos serviços, inclusive para permitir que clientes, mesmo utilizando celulares mais simples, possam realizar suas transações bancárias e se relacionar com o banco via SMS. Entre eles, estão consulta a saldos e extratos e recarga de celular pré-pago — diz Lairton.

O ex-diretor da Febraban, Gustavo Roxo, lembra que um dos grandes obstáculos para um maior crescimento das operações bancárias por celular ainda é o medo de fraudes nas operações. Uma pesquisa da Unisys Corporation feita no Brasil mostra que apenas 11% dos entrevistados usariam celulares em transações on-line, enquanto 67% afirmam que dificilmente usariam o telefone móvel para esta finalidade. O motivo é a segurança. A maioria dos entrevistados (43%) considera que não é seguro usar o celular para transações financeiras, enquanto apenas 2% consideram essas transações muito seguras.

— Evitar fraudes depende muito do comportamento do usuário. O ideal é sempre seguir a orientação dos bancos no uso do celular para `mobile banking´, e ler os comunicados e alertas enviados aos clientes. Sempre que notar comportamento diferente do que estava acostumado, como o site pedindo uma informação de segurança, o melhor é interromper a transação e solicitar ajuda ao banco. Os fraudadores ainda se aproveitam da inocência dos clientes para aplicar seus golpes — diz Roxo.